# América Latina: desafios com clima e terra da Amazônia ao Chaco

> A América Latina enfrenta desafios climáticos e fundiários críticos, da seca amazônica às inundações no Chaco e à degradação do solo no Corredor Seco. A COP17, realizada em Ulaanbaatar, evidenciou a lacuna entre as metas globais de mitigação e a realidade local dos países latino-americanos. O evento destacou a necessidade de adaptação urgente e financiamento específico para biomas regionais.

*Fazen · Sustentabilidade · 07 de setembro de 2026 · Tarcísio Maia*

Seca na Amazônia, inundações no Chaco e solos degradados no Corredor Seco: a COP17, encerrada em Ulaanbaatar, revelou os desafios comuns da América Latina com o clima e a terra, e a distância entre metas globais e a realidade local.

A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), encerrada na semana passada em Ulaanbaatar, na Mongólia, escancarou um paradoxo latino-americano. De um lado, metas internacionais de restauração e combate à seca. Do outro, a realidade de quem vive da terra: cerca de 28% dos territórios da região são degradados, índice muito superior à média global, que gira em torno de 15% a 16%, segundo a UNCCD.

Na Amazônia peruana, o indígena shipibo-konibo Gilmer Yuimachi observa que a seca prolongada reduz rios, lagos e igarapés usados para consumo, pesca e agricultura. Cultivos como mandioca, milho, feijão e arroz são prejudicados. Mas ele alerta: reduzir o problema a perdas econômicas seria insuficiente. "Significam colocar em risco nossa alimentação, nossas florestas, nossos peixes, nossas plantas medicinais e também nossos conhecimentos e nossa cultura", reflete.

No outro extremo do continente, a parte argentina do Chaco Americano vive uma transformação inversa. A professora e ativista Antonella Sleiman, da Fundapaz, conta que a região, historicamente marcada pela seca, enfrentou inundações inéditas neste ano, em uma escala não observada havia cerca de 50 anos. Comunidades que aprenderam a administrar a escassez perderam plantações de milho e abóbora. "Este ano, pela primeira vez, algumas comunidades precisaram comprar alimentos para as famílias e para os rebanhos em localidades distantes", relatou.

Entre esses dois extremos, El Salvador vive a realidade do Corredor Seco Centro-Americano. A líder juvenil Xenia López acompanha 16 comunidades rurais em Chalatenango que tentam se adaptar à falta de água. A saída encontrada foi a adoção de práticas agroecológicas. "A agroecologia, ao invés da agricultura intensiva, nos permite fazer um uso mais eficiente da água e proteger o solo", explica. Xenia, que integra a Plataforma Semiaridos, iniciativa com 16 instituições de 10 países, lamenta a falta de apoio de governos hostis e pede mais espaço para as questões da América Central em fóruns internacionais.

A conferência terminou com novos mecanismos de financiamento e maior participação formal de povos indígenas. Para a engenheira ambiental brasileira Thaiane Maciel, 33, do Instituto Ecocria, o desafio é conectar as políticas de terra a outras dimensões da vida e tratar a juventude como capaz de formular políticas, não apenas de aprender. A distância entre as decisões globais e os cotidianos locais, no entanto, segue grande. COP17 desertificação corredor seco centro-americano

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Fonte (canonical): https://www.fazen.com.br/sustentabilidade/amazonia-ao-chaco-america-latina-tem-desafios-clima-terra/
