# Amazônia: indígenas catalogam espécies para proteger biodiversidade

> A Terra Indígena Panará, na Amazônia, registrou quase 15 mil espécies da fauna e flora em projeto que integra conhecimento ancestral indígena à ciência acadêmica. O levantamento, realizado pelos próprios Panará, fortalece a proteção da biodiversidade local e subsidia estratégias de conservação do território. A iniciativa demonstra o papel ativo das comunidades indígenas na gestão ambiental.

*Fazen · Sustentabilidade · 20 de agosto de 2026 · Cláudia Renê*

Quase 15 mil indivíduos da fauna e flora foram catalogados na Terra Indígena Panará, na Amazônia, em projeto que une saber ancestral à ciência acadêmica para proteger a biodiversidade.

A pressão do garimpo ilegal e de outras atividades irregulares na Amazônia leva povos indígenas a uma nova frente de proteção: o inventário científico das espécies. Na Terra Indígena (TI) Panará, na divisa do Pará com Mato Grosso, quase 15 mil indivíduos da fauna e da flora regional já foram registrados em 500 mil hectares.

A iniciativa, promovida pela Conservação Internacional (CI-Brasil) em parceria com a Rede Xingu+, a Associação Indígena Iakiô, universidades públicas e outras organizações sociais, une saber ancestral e ciência acadêmica. Pesquisadores indígenas e de universidades públicas percorrem trilhas pelo território para coletar imagens, amostras de espécies e de água do Rio Rriri, afluente do Rio Xingu, além de incluir dados no inventário.

O trabalho de catalogação combina conhecimento tradicional e tecnologia. Os pesquisadores indígenas receberam capacitação para usar GPS, aplicativo de catalogação e câmeras trap, ativadas por movimento ou calor. "Foi muito bom trabalhar junto com pesquisadores não indígenas. Um ensinou ao outro", afirma o pesquisador Kiarysy Kaiabi Panará, conhecido como Cutia.

Segundo a diretora do programa Povos Indígenas e Comunidades Locais da CI-Brasil, Renata Pinheiro, enquanto os acadêmicos trazem conhecimento tecnológico sobre as ferramentas, os indígenas dominam o conhecimento sobre o território. "Os Panará sabem ler a floresta de um jeito que nenhum instrumento científico consegue substituir", destaca.

Entre as 602 espécies catalogadas, 27 estão criticamente em perigo de extinção. Uma árvore, chamada de Já pelos Panará, é analisada como possível nova espécie para a ciência, embora já seja conhecida do povo. A confirmação ainda depende de nova coleta durante a floração, mas o trabalho foi interrompido por falta de recursos.

A pesquisadora Pentê Panará, da aldeia Sõnkârãsãn, destaca a importância das câmeras para identificar animais difíceis de avistar e a participação feminina. Ao final, os dados serão disponibilizados no Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SIBBr), com protocolo que garante aos indígenas o reconhecimento como autores do conhecimento. conservação ambiental na Amazônia

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Fonte (canonical): https://www.fazen.com.br/sustentabilidade/amazonia-indigenas-catalogam-especies-proteger-biodiversidade/
