# Aquecimento além de 1,5°C ameaça saúde, agricultura e economia

> O aquecimento global além de 1,5°C, projetado pelas Nações Unidas para os próximos anos, representa ameaça direta à saúde pública, à produtividade agrícola e à estabilidade econômica global. Especialistas vinculam o aumento da temperatura a eventos climáticos extremos, perdas de safra e custos crescentes para infraestrutura. A ação urgente para mitigar emissões é condição indispensável para reduzir esses riscos sistêmicos.

*Fazen · Sustentabilidade · 03 de setembro de 2026 · Geraldo Cavalcanti*

O planeta deve ultrapassar o limite de 1,5°C nos próximos anos, alertam as Nações Unidas. Especialistas explicam os riscos para saúde, agricultura e economia e defendem ação urgente.

Na roça, a gente aprende cedo que o tempo não espera ninguém. Quando a seca aperta ou a chuva chega fora de hora, o prejuízo aparece na lavoura. Agora, o recado vem das Nações Unidas: o planeta deve ultrapassar o limite de 1,5°C de aquecimento nos próximos anos. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil explicam que isso pode tornar mais frequentes eventos extremos, como ondas de calor, secas históricas, chuvas intensas e perdas agrícolas, afetando diretamente a saúde, a agricultura e a economia.

A temperatura global já está cerca de 1,37°C acima dos níveis pré-industriais, com avanço aproximado de 0,26°C por década. Segundo a presidente do Comitê Diretor do Sistema Global de Observação do Clima (GCOS), da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Thelma Krug, se o ritmo atual de emissões continuar, o mundo teria apenas três ou quatro anos para limitar o aquecimento. Ela lembra que, quanto mais quente e por mais tempo o planeta ficar acima do limite, maior será a necessidade de remover dióxido de carbono da atmosfera e mais difícil será reverter o quadro.

Para o diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), André Guimarães, o anúncio precisa ser tratado com gravidade. "Hoje é um dia triste para a humanidade. Fomos derrotados por nós mesmos", lamenta. Ele defende a redução urgente da queima de combustíveis fósseis, o fim da conversão de florestas e uma nova relação com a natureza.

O economista Sergio Margulis, especialista do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS) e professor da PUC-Rio, destaca que perdas em infraestrutura, agricultura, saúde e energia já representam 2% do PIB global. Ele calcula que o mundo gasta cerca de 2 trilhões de dólares com descarbonização, mas seria preciso aumentar esse patamar para 5 trilhões ou mais. "Adaptação não resolve o problema físico do aquecimento global. Temos que parar com as emissões", alerta.

O coordenador de política internacional do Observatório do Clima (OC), Claudio Angelo, reforça que o relatório da ONU é um alerta para impedir que a ultrapassagem seja ainda maior. "Abandonar o objetivo de devolver os termômetros a 1,5ºC não é uma opção; seria assinar um pacto coletivo de suicídio", analisa. Ele defende parar já a expansão fóssil no mundo e vê na COP31, daqui a dois meses, uma oportunidade para essa decisão.

A terra devolve o cuidado de quem fica. Mas, como dizem os especialistas, não dá para esperar a reversão do clima para agir. O tempo, lá fora e aqui na roça, é curto.

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Fonte (canonical): https://www.fazen.com.br/sustentabilidade/aquecimento-alem-15c-ameaca-saude-agricultura-economia/
