# BNDES busca mobilizar até R$ 6 bi para mercado de crédito de carbono

> BNDES anunciou plano de mobilizar até R$ 6 bilhões para fomentar o mercado de crédito de carbono no Brasil. A iniciativa inclui linhas de financiamento e parcerias para projetos de redução de emissões, visando impulsionar a economia de baixo carbono e gerar ativos ambientais negociáveis.

*Fazen · Sustentabilidade · 02 de julho de 2026 · Tarcísio Maia*

O BNDES anunciou plano de mobilizar até R$ 6 bilhões em recursos para fomentar o mercado de crédito de carbono no Brasil. A iniciativa, que envolve linhas de financiamento e parcerias, mira projetos de redução de emissões, com foco no agronegócio e na indústria.

## BNDES busca mobilizar até R$ 6 bi para mercado de crédito de carbono

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou planos de mobilizar até R$ 6 bilhões para alavancar o mercado de crédito de carbono no Brasil. A iniciativa, ainda em fase de estruturação, prevê linhas de financiamento e parcerias com o setor privado. O foco está em projetos de redução de emissões de gases de efeito estufa, especialmente no agronegócio e na indústria.

O BNDES planeja mobilizar até R$ 6 bilhões para o mercado de crédito de carbono, por meio de linhas de financiamento e parcerias. O objetivo é apoiar projetos de redução de emissões, como reflorestamento e energia limpa, com foco no agronegócio e na indústria. O banco ainda não divulgou o cronograma completo de lançamento.

## O que é o crédito de carbono e como funciona

O crédito de carbono é um certificado que representa a redução de uma tonelada de dióxido de carbono equivalente (tCO2e) da atmosfera. Empresas que emitem gases podem comprar esses créditos para compensar suas emissões. O mercado, regulado por normas nacionais e internacionais, ganha tração com o compromisso brasileiro de reduzir emissões em 37% até 2025 (Acordo de Paris, 2015).

No Brasil, o mercado voluntário de carbono movimentou cerca de R$ 1,2 bilhão em 2024, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). A entrada do BNDES com R$ 6 bilhões pode quadruplicar esse volume.

## Como o BNDES planeja usar os R$ 6 bilhões

O banco ainda não detalhou o desenho final das linhas de crédito. Fontes do mercado indicam que os recursos serão direcionados a:

- Projetos de reflorestamento e recuperação de pastagens: com potencial de gerar créditos de carbono de alta integridade.
- Energia renovável: usinas solares, eólicas e de biomassa que substituam fontes fósseis.
- Mudança de uso da terra: práticas agrícolas de baixo carbono, como plantio direto e integração lavoura-pecuária-floresta.

O BNDES estima que cada R$ 1 investido pode gerar até 0,5 tCO2e de redução, com base em projetos-piloto analisados pelo banco.

## Quem pode acessar os recursos

A prioridade será para empresas e cooperativas do agronegócio, indústrias de médio e grande porte, e projetos com certificação internacional. O banco exige que os projetos estejam alinhados à Política Nacional de Mudança do Clima (Lei 12.187/2009).

O BNDES também planeja parcerias com certificadoras como Verra e Gold Standard, para garantir a qualidade dos créditos. A taxa de juros ainda não foi definida, mas deve seguir a Taxa de Longo Prazo (TLP), atualmente em 6,5% ao ano.

## Impacto para o produtor rural

O produtor rural que adota práticas de baixo carbono pode se beneficiar diretamente. Cada hectare de pastagem recuperada pode gerar de 3 a 5 créditos de carbono por ano, segundo a Embrapa. Com o crédito cotado entre R$ 50 e R$ 100 no mercado voluntário, a receita adicional pode chegar a R$ 500 por hectare ao ano.

O BNDES prevê que o programa vai financiar a recuperação de até 2 milhões de hectares em cinco anos. Isso representaria a geração de 10 milhões de créditos de carbono, com valor estimado de R$ 750 milhões a R$ 1 bilhão.

## Desafios e críticas

Especialistas apontam riscos. O mercado voluntário de carbono ainda carece de regulação robusta no Brasil. O Projeto de Lei 528/2021, que cria o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), tramita no Congresso sem previsão de votação.

Outro ponto é a contabilidade dos créditos. Sem metodologias padronizadas, há risco de dupla contagem ou de projetos que não geram reduções reais. O BNDES afirma que exigirá auditoria independente em todos os projetos financiados.

## Comparação com iniciativas internacionais

Países como a Colômbia e o México já estruturaram fundos públicos de carbono. O Fundo de Carbono da Colômbia, criado em 2017, mobilizou US$ 200 milhões em três anos. O BNDES, com R$ 6 bilhões (cerca de US$ 1,2 bilhão), teria o maior fundo público de carbono da América Latina.

Para saber mais sobre financiamento verde, veja linhas de crédito sustentável do BNDES.

## Perguntas Frequentes

### O BNDES já liberou os R$ 6 bilhões?

Não. O valor é uma meta de mobilização, ainda em fase de estruturação. O banco não divulgou prazo para o lançamento oficial.

### Quem pode solicitar o crédito?

Empresas e cooperativas do agronegócio e indústria, com projetos de redução de emissões certificados ou em processo de certificação.

### Qual a taxa de juros?

Ainda não definida. Deve seguir a TLP, mas pode haver subsídios para projetos de baixo carbono.

### O crédito de carbono é tributado?

Sim. A Receita Federal define que a venda de créditos de carbono é tributada como receita operacional, sujeita a IRPJ e CSLL.

### Como o produtor rural pode se preparar?

Adotar práticas de baixo carbono (plantio direto, ILPF, recuperação de pastagens) e buscar certificação junto a entidades como Embrapa ou Imaflora.

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Fonte (canonical): https://www.fazen.com.br/sustentabilidade/bndes-busca-mobilizar-ate-r-6-bi-mercado-credito-carbono/
