# Degelo e seca avançam sobre Ásia Central e pequenos países insulares

> A UNCCD, na COP17 em Ulaanbaatar, alerta que o degelo e a seca avançam sobre a Ásia Central e pequenos países insulares. Mais de 50 países enfrentam degradação crítica do solo e pressões sem precedentes sobre recursos hídricos. Os relatórios indicam níveis alarmantes de escassez, exigindo ação imediata para mitigar impactos ambientais e socioeconômicos nessas regiões vulneráveis.

*Fazen · Sustentabilidade · 26 de agosto de 2026 · Geraldo Cavalcanti*

Relatórios da UNCCD lançados na COP17, em Ulaanbaatar, alertam para pressões sem precedentes sobre recursos hídricos e solo na Ásia Central e em pequenos países insulares. Mais de 50 países são afetados, com degradação e seca em níveis críticos.

Acordei cedo, como sempre, e o primeiro pensamento foi na terra. Não na minha, que é pequena, mas naquela que a gente vê nos mapas e às vezes esquece que existe. Nesta quarta-feira (26), dois relatórios da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD) foram apresentados na 17ª Conferência das Partes (COP17), em Ulaanbaatar, na Mongólia. Eles mostram que a Ásia Central e os pequenos países insulares em desenvolvimento (SIDS) estão sob pressões sem precedentes nos recursos hídricos, na saúde do solo e no clima. No total, são mais de 50 países e territórios afetados.

A Ásia Central, formada por Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão, perde a imagem de estepes vastas e oásis férteis. A região é um dos epicentros mundiais da degradação do solo. Mais de 80 milhões de hectares, ou mais de um quarto do território, já estão degradados. Isso atinge 30% da população, cerca de 24 milhões de pessoas. A UNCCD calcula que, a cada ano, essa degradação cause perdas entre dois e seis bilhões de dólares. Além disso, a região aquece duas vezes mais rápido que a média global, e as geleiras, as antigas "torres de água", encolheram 30% em cinquenta anos.

Nos SIDS, que incluem 39 países e 18 territórios no Caribe, nos oceanos Pacífico, Atlântico e Índico, e no Mar do Sul da China, a situação também é grave. Cerca de 18,8 milhões de hectares, ou 16,5% da área total, estão degradados, ligeiramente acima da média global. Mais de 70% enfrentam escassez de água, e 43% da área são afetados pela seca. A seca extrema aumentou 30% entre 1961/1970 e 2014/2023. Estima-se que 16,3 milhões de pessoas vivam com insegurança alimentar grave, e 11,5 milhões estejam subnutridas.

O financiamento é um ponto crítico. Os SIDS recebem cerca de US$ 2 bilhões por ano em financiamento público para adaptação, apenas 0,2% do financiamento climático global. Os pesquisadores estimam que seriam necessários pelo menos US$ 11,7 bilhões anuais, quase seis vezes o valor atual. A secretária executiva da UNCCD, Yasmine Fouad, disse que, apesar das diferenças, tanto a Ásia Central quanto os SIDS mostram vulnerabilidades, mas ainda há possibilidade de melhora. "A prioridade agora é acelerar esse progresso, ao investir na gestão responsável da terra, fortalecendo a cooperação regional e internacional e garantindo que as pessoas e os ecossistemas permaneçam no centro das decisões de desenvolvimento", afirmou.

Na minha roça, a gente aprende que terra descuidada vira pedra. Mas também que cuidado volta em flor. Os relatórios mostram que ainda dá tempo, desde que o dinheiro e a vontade cheguem onde a terra mais precisa.

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Fonte (canonical): https://www.fazen.com.br/sustentabilidade/degelo-seca-avancam-sobre-asia-central-pequenos-paises-insulares/
