Sustentabilidade

Degradação da terra e clima extremo ameaçam nômades na Mongólia

ResumoA degradação da terra e o clima extremo ameaçam os nômades na Mongólia, onde 70% a 76% do território sofre desertificação. Pastores como Batchuluun Maamun buscam soluções na COP17 para mitigar os impactos sobre a pecuária e o estilo de vida tradicional. A crise ambiental exige respostas urgentes para preservar a subsistência das comunidades locais.

Degradação da terra e clima extremo ameaçam nômades na Mongólia, onde 70% a 76% do território sofre desertificação. Pastores como Batchuluun Maamun buscam soluções na COP17.

Geraldo Cavalcanti
Geraldo Cavalcanti Produtor familiar e cronista rural · 25 de agosto de 2026 · 2 min de leitura
Degradação da terra e clima extremo ameaçam nômades na Mongólia

Na estepe da Mongólia, o vento sul anuncia chuva, e o anel de arco-íris ao redor do sol, frio intenso. Batchuluun Maamun, de 57 anos, cresceu lendo esses sinais. Hoje, eles trazem ansiedade. Secas recentes prejudicaram a vegetação e fizeram ovelhas, cabras, cavalos e bois sofrerem com o calor. Em 2010, um dzud, inverno extremo, matou 700 dos 1,3 mil animais da família. No dzud de 2020, a perda foi de 20% do rebanho.

Batchuluun vive com a família em uma comunidade de pastores na zona de amortecimento do Parque Nacional de Hustai, a cerca de 100 km da capital. Há 27 anos, migraram mil quilômetros em busca de condições melhores. O nomadismo segue as estações: verão no acampamento, inverno numa cabana a 10 km. Mas a degradação das pastagens, o sobrepastoreio, a mineração e a redução das fontes de água ameaçam esse modo de vida.

Segundo a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), 70% a 76% do território da Mongólia sofre desertificação, cerca de 36 milhões de hectares. Batchuluun espera que a COP17, em Ulaanbaatar, traga soluções. "Achamos positivo que temas como seca e sobrepastoreio estejam sendo debatidos, pois são nossos maiores problemas", diz.

O governo mongol contabilizou 58 milhões de animais de rebanho em 2025, alta de 0,8% ante 2024, contra 3,6 milhões de pessoas. Para lidar com a degradação, a família de Batchuluun deixou áreas sem uso por dois anos, e a vegetação voltou. Muitos criadores agora buscam animais mais produtivos e diversificam a renda. "Agora há uma preocupação maior em aproveitar melhor cada um deles", relata Maamun.

Sua mulher, Oyunchimeg Shuurai, de 53 anos, vê no aprendizado um legado. "Se continuássemos apenas fazendo o que sempre fizemos, sem aprender outras formas de viver, isso não seria bom para o futuro", afirma. O casal, com quatro filhos, não os obriga a serem pastores, mas gostaria que ao menos um seguisse a tradição. A família usa painéis solares e esterco seco para aquecimento, sem abrir mão do princípio central: proteger a natureza é saber quando e como usá-la. "Quando a única preocupação passa a ser o lucro, a terra acaba sendo destruída", conclui Oyunchimeg.

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