Sustentabilidade

Brasil: Metas de Restauração Pós-COP17 Exigem Ação Concreta

ResumoBrasil assumiu a meta de restaurar 163 mil km² de terras degradadas até 2030. A promessa pós-COP17, elogiada pela ONU e sociedade civil, enfrenta cobranças por implementação efetiva. A execução exige abordagem integrada entre conservação, recuperação e inclusão social. Ações concretas, financiamento e monitoramento são necessários para transformar o compromisso em resultados verificáveis no território nacional.

O Brasil assumiu a ambiciosa meta de restaurar 163 mil km² de terras degradadas até 2030. A promessa, elogiada pela ONU e sociedade civil, agora enfrenta cobranças para sua efetiva implementação, exigindo uma abordagem integrada que une conservação, recuperação e inclusão social.

Cláudia Renê
Cláudia Renê Especialista em sustentabilidade no agro · 31 de agosto de 2026 · 2 min de leitura
Brasil: Metas de Restauração Pós-COP17 Exigem Ação Concreta

Após a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), realizada em Ulaanbatar, o Brasil está sob pressão para concretizar sua meta de restaurar 163 mil quilômetros quadrados de terras degradadas até 2030. A promessa, que recebeu elogios das Nações Unidas e de organizações da sociedade civil, agora exige ações tangíveis para solucionar os problemas ambientais do país.

A especialista em sistemas alimentares da WWF Global, Luiza Soares, descreveu a meta brasileira como "ambiciosa", mas ressaltou a necessidade de transformá-la em resultados concretos. "Implementar esses objetivos requer uma abordagem integrada no uso da terra, que significa colocar ao mesmo lado a conservação e a restauração dos ecossistemas, a recuperação da produtividade de áreas degradadas, o manejo sustentável do solo e a transformação dos sistemas alimentares agrícolas", afirmou Soares. Ela também enfatizou a importância de incluir as pessoas que dependem dessas terras, especialmente onde a degradação afeta a segurança alimentar e hídrica.

O conselheiro executivo da Rede para Restauração da Caatinga (ReCaa), Pedro Sena, destacou que a sociedade civil deve acompanhar e fiscalizar o compromisso assumido pelo país. "A partir de agora, nosso foco deve ser monitorar a situação de perto, para que possamos avaliar e entender, ano a ano, como estamos evoluindo em relação aos nossos compromissos de conservação do solo", avaliou Sena.

Rafael Giovanelli, especialista do Instituto Escolhas, apontou que a meta foi apresentada com um atraso de 11 anos e que o momento é de aceleração. Ele sugere o fortalecimento da estrutura administrativa e orçamentária, a regulamentação da Lei de Recuperação da Vegetação da Caatinga e a criação de uma Secretaria Especial de Recuperação da Caatinga e Combate à Desertificação, com status ministerial.

A restauração faz parte das metas de Neutralidade da Degradação da Terra (LDN), um compromisso voluntário de mais de 130 países. O Brasil utiliza o ano de 2020 como referência, quando possuía 55,7 milhões de hectares com tendência à degradação. Para cumprir o compromisso, o país precisa manter ou aumentar a quantidade de terras saudáveis e produtivas até 2030.

O Consórcio Nordeste, representando os nove governos da região, participou da COP17 para apresentar projetos de restauração da Caatinga e buscar investimentos. Um memorando de entendimento foi assinado com a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD) para dar maior visibilidade ao bioma, visando cooperação técnica e inclusão em redes globais. O secretário executivo do Consórcio Nordeste, Carlos Gabas, considera o documento um passo importante para o protagonismo da região na transformação ecológica.

A secretária adjunta da UNCCD, Andrea Meza, elogiou o papel do Brasil na construção de soluções para os problemas da terra e destacou o Nordeste como um território fundamental para políticas de combate à desertificação e resiliência climática.

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