Sustentabilidade

EUA são criticados por bloquear gênero e participação social na COP17

ResumoOs Estados Unidos foram criticados na COP17 por representantes da sociedade civil e povos tradicionais. A delegação norte-americana bloqueou a inclusão de pautas sociais, como gênero e participação social, nas negociações climáticas. A ação gerou condenação por limitar o escopo do acordo e excluir perspectivas essenciais para políticas climáticas justas.

Representantes da sociedade civil e de povos tradicionais criticaram os EUA por bloquear, na COP17, a inclusão de pautas sociais, como gênero e participação social, nas negociações.

Anderson Fagundes
Anderson Fagundes Especialista em máquinas agrícolas · 25 de agosto de 2026 · 2 min de leitura
EUA são criticados por bloquear gênero e participação social na COP17

Representantes da sociedade civil e de povos tradicionais criticaram nesta terça-feira (25) o posicionamento dos Estados Unidos na 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17). Desde o início do evento, o país tem bloqueado a inclusão de pautas sociais na agenda de negociações. Um dos tópicos rejeitados é o de gênero, que trata da igualdade de direitos e de maior representatividade para as mulheres.

A articuladora de gênero da sociedade civil na conferência, Beth Roberts, disse que os EUA exigiram a remoção da palavra em qualquer debate e a definiram como inegociável. Beth afirmou que a postura adotada por Donald Trump desde o início de seu governo é abertamente ideológica e reflete estruturas mais amplas de poder. "O nacionalismo e o autoritarismo demonstrados pelo governo dos Estados Unidos não estão desconectados do patriarcado", disse.

As principais decisões da COP17 precisam ser tomadas por consenso. A objeção de um país a qualquer elemento dos textos oficiais impede a aprovação deles. Beth argumentou que quando as negociações são rompidas com a intenção de travar avanços, os outros países precisam se unir e utilizar ferramentas próprias do protocolo da conferência para proteger o espaço. "Uma única parte não deveria ter permissão para ditar a conversa neste espaço", afirmou.

A representante do grupo indígena, Jennifer Tauli Corpuz, do povo Kankana-ey Igorot das Filipinas, apontou o desvio do conceito de consenso: "Consenso não é bloqueio. A objeção de uma pessoa não deve sacrificar o bem de todos." A líder indígena reforçou a urgência dos impactos reais no terreno em oposição aos bloqueios diplomáticos.

A ativista Hindou Oumarou Ibrahim, líder do povo pastoral Mbororo, do Chade, afirmou que ciência e conhecimentos tradicionais devem ser colocados juntos. Ela questionou: "Se essas vozes são reconhecidas fora das salas de negociação, por que deveriam ser excluídas das decisões que moldam o futuro?"

Brasil e União Europeia têm se destacado na oposição aos EUA. Durante evento paralelo, o ministro do Meio Ambiente e da Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, reforçou o posicionamento do país: as negociações precisam incluir os mais impactados por elas. "Temos que enfrentar isso, temos que aproveitar os últimos dias agora para reverter essa tendência", disse.

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