Sustentabilidade

Guia orienta prefeituras na prevenção de impactos do El Niño

ResumoA Associação Brasileira de Municípios (ABM) lançou um guia prático para prefeituras prevenirem impactos do El Niño, fenômeno que pode atingir intensidade muito forte até 2026. O material orienta desde o mapeamento de áreas de risco até a organização de ações emergenciais, visando reduzir danos e proteger a população.

A Associação Brasileira de Municípios (ABM) lançou um guia prático para auxiliar prefeitos e equipes técnicas na prevenção dos efeitos do El Niño, que pode atingir intensidade muito forte até o fim de 2026. O material orienta desde o mapeamento de áreas de risco até a organização

Cláudia Renê
Cláudia Renê Especialista em sustentabilidade no agro · 27 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Guia orienta prefeituras na prevenção de impactos do El Niño

Guia orienta prefeituras na prevenção de impactos do El Niño

A Associação Brasileira de Municípios (ABM) lançou um guia prático para que prefeitos e equipes técnicas possam se antecipar aos efeitos do El Niño, fenômeno que, segundo estudos citados pela entidade, tem alta probabilidade de atingir intensidade muito forte nos próximos meses. O material é gratuito e está disponível no portal da ABM.

O que o guia da ABM recomenda para prefeituras

O Guia Prático para Enfrentamento ao Super El Niño e Eventos Climáticos Extremos reúne orientações para três etapas: prevenção, resposta e recuperação após desastres. A entidade defende que a resposta a eventos climáticos deve envolver diferentes áreas da administração municipal, saúde, assistência social, infraestrutura, educação, meio ambiente e finanças.

Entre as recomendações práticas estão:

  • Mapeamento de áreas de risco.
  • Atualização de planos de contingência.
  • Definição prévia de abrigos e equipes de atendimento.
  • Organização de ações emergenciais, como evacuação, acolhimento de famílias e manutenção de serviços essenciais.

Probabilidade de El Niño muito forte: o que dizem os estudos

De acordo com a ABM, estudos da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) apontam 81% de probabilidade de o El Niño alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026. Além disso, há 97% de chances de o fenômeno permanecer ativo até o início de 2027.

O número não é trivial. Para quem trabalha com planejamento municipal, significa que o período crítico coincide com o fim do ano, quando recursos orçamentários costumam estar mais apertados e equipes técnicas podem estar em regime de plantão.

Efeitos regionais: o que cada região pode esperar

A ABM destaca que os efeitos do El Niño variam conforme a região. O guia não trata o país como um bloco homogêneo, o que é um acerto para quem precisa de planejamento local.

Norte e Nordeste: estiagem e risco de queimadas

Nessas regiões, a tendência é de redução das chuvas, estiagens, queda no nível dos rios, pressão sobre o abastecimento de água e aumento do risco de queimadas. Para prefeituras do Norte e Nordeste, o guia sugere atenção redobrada à logística de abastecimento e à prevenção de focos de incêndio.

Centro-Oeste: calor e baixa umidade

No Centro-Oeste, o calor intenso e a baixa umidade podem ampliar a ocorrência de incêndios, especialmente no Pantanal. A recomendação é que as prefeituras da região reforcem o monitoramento de áreas de vegetação nativa e mantenham brigadas de incêndio treinadas e equipadas.

Sudeste: calor, baixa umidade e chuvas irregulares

Para o Sudeste, são esperados períodos de calor intenso, baixa umidade e irregularidade das chuvas. O guia não detalha cenários de enchentes para a região, mas a irregularidade hídrica já é suficiente para pressionar sistemas de abastecimento e geração de energia.

Sul: temporais, enchentes e deslizamentos

O Sul apresenta o maior risco de temporais persistentes, enchentes, alagamentos e deslizamentos. A região já tem histórico recente de eventos extremos, e o guia reforça a necessidade de planos de contingência atualizados e sistemas de alerta precoce.

Por que o guia pode fazer diferença na prática

Prefeituras que já passaram por enchentes, estiagens ou queimadas sabem que a diferença entre um desastre controlado e uma crise humanitária está no planejamento prévio. O guia da ABM não inventa soluções mirabolantes, ele organiza o que já se sabe que funciona: mapear, planejar, treinar e agir com coordenação entre secretarias.

Um ponto que merece atenção: a ABM recomenda que a resposta envolva diferentes áreas da administração municipal. Na prática, isso significa que a defesa civil não pode atuar sozinha. Saúde precisa de estoques de medicamentos e leitos; assistência social, de abrigos e cadastro de famílias vulneráveis; infraestrutura, de equipes para desobstrução de vias e reparos emergenciais.

Como acessar o guia

O Guia Prático para Enfrentamento ao Super El Niño e Eventos Climáticos Extremos está disponível gratuitamente no portal da ABM. A entidade não informou se há versão impressa ou formatos acessíveis, mas o material online já é um ponto de partida para equipes técnicas que precisam de orientação rápida.

Perguntas Frequentes

O que é o Guia Prático para Enfrentamento ao Super El Niño?

É um material lançado pela Associação Brasileira de Municípios (ABM) com orientações para prefeituras nas etapas de prevenção, resposta e recuperação após desastres climáticos.

Quem publicou o guia?

A Associação Brasileira de Municípios (ABM) é a responsável pelo lançamento e disponibilização do material.

O guia é gratuito?

Sim, o guia está disponível gratuitamente no portal da ABM.

Quais regiões são mais afetadas pelo El Niño?

Segundo a ABM, Norte e Nordeste tendem a enfrentar estiagem e queimadas; Centro-Oeste, calor e incêndios; Sudeste, calor e chuvas irregulares; Sul, temporais, enchentes e deslizamentos.

Quais são as principais recomendações do guia?

Mapeamento de áreas de risco, atualização de planos de contingência, definição de abrigos e equipes, e organização de ações emergenciais como evacuação e acolhimento de famílias.

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