Guia orienta prefeituras na prevenção de impactos do El Niño
A Associação Brasileira de Municípios (ABM) lançou um guia prático para ajudar prefeitos e equipes técnicas a se prepararem para os impactos do El Niño, que tem 81% de chance de atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro. O material traz orientações para cada região
No terreiro aqui de casa, a gente aprendeu que o tempo não avisa quando vai virar, ele só dá sinais. E quem tá na roça ou na cidade, lidando com a terra e com a comunidade, sabe que o melhor remédio pra tempestade é o telhado reforçado antes dela chegar. Foi pensando nisso que a Associação Brasileira de Municípios (ABM) soltou um guia prático pra ajudar prefeitos e equipes técnicas a não serem pegos de surpresa pelo El Niño, que vem aí com força de arromba.
Segundo a ABM, estudos da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos apontam 81% de probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro. Além disso, há 97% de chances de o acontecimento permanecer ativo até o início de 2027. Não é previsão de véspera, é dado de quem estuda o clima de perto.
O que o guia traz de diferente?
O Guia Prático para Enfrentamento ao Super El Niño e Eventos Climáticos Extremos não é um manual qualquer. Ele reúne orientações para três etapas: prevenção, resposta e recuperação depois que o desastre passar. A ABM lembra que a resposta a desastres climáticos deve envolver diferentes áreas da administração municipal, como saúde, assistência social, infraestrutura, educação, meio ambiente e finanças.
Entre as recomendações estão:
- Mapeamento de áreas de risco
- Atualização de planos de contingência
- Definição prévia de abrigos e equipes de atendimento
- Organização de ações emergenciais, como evacuação, acolhimento de famílias e manutenção de serviços essenciais
Não adianta só ter um plano no papel. O guia mostra que é preciso ter equipe treinada, abrigo definido e logística montada antes de o tempo fechar.
Efeitos diferentes em cada região
A ABM explica que os impactos do El Niño variam conforme a região do país. E o guia leva isso em conta:
- Norte e Nordeste: tendem a enfrentar redução das chuvas, estiagens, queda no nível dos rios, pressão sobre o abastecimento e aumento do risco de queimadas.
- Centro-Oeste: o calor e a baixa umidade podem ampliar a ocorrência de incêndios, especialmente no Pantanal.
- Sudeste: são esperados períodos de calor intenso, baixa umidade e irregularidade das chuvas.
- Sul: apresenta maior risco de temporais persistentes, enchentes, alagamentos e deslizamentos.
Pra quem vive da terra, como eu, cada região tem sua lida. No Norte, a preocupação é com a seca dos rios. No Sul, com a enchente que leva tudo. O guia tenta dar um norte pra cada realidade.
Como acessar o material
A ABM disponibiliza o guia gratuitamente no portal da associação. Não precisa pagar nada, não tem burocracia. É só acessar e baixar. A entidade recomenda que prefeitos e equipes técnicas estudem o material com antecedência, antes que o fenômeno atinja seu pico.
O guia pode ser um recurso importante para pequenos municípios, que muitas vezes não têm estrutura técnica para elaborar planos de contingência do zero. Ele serve como um roteiro prático, com linguagem direta e recomendações objetivas.
O que esperar dos próximos meses
Com 81% de chance de intensidade muito forte entre outubro e dezembro, o El Niño não é um fenômeno que vai passar batido. E com 97% de chances de permanecer ativo até o início de 2027, a preparação precisa ser para o médio prazo, não só para o próximo verão.
A ABM reforça que a resposta a desastres climáticos deve envolver diferentes áreas da administração municipal. Não é só a Defesa Civil que precisa estar preparada, saúde, assistência social, infraestrutura, educação, meio ambiente e finanças também têm papel fundamental.
Pra quem vive no campo, a lógica é a mesma: não adianta só rezar pra São Pedro. Tem que limpar o pasto, reforçar o cercado, estocar água. O guia da ABM faz isso na escala da cidade: organiza o que cada secretaria precisa fazer antes, durante e depois.
E se a prefeitura não tiver plano?
Aí o guia cai como luva. Ele foi pensado para prefeitos e equipes técnicas que muitas vezes não têm experiência em gestão de desastres climáticos. As orientações são práticas e diretas: mapear áreas de risco, definir abrigos, treinar equipes, organizar logística de evacuação.
O material também destaca a importância de envolver a comunidade. Não adianta o plano ser bonito no papel se a população não sabe para onde ir quando o rio subir ou quando a seca apertar.
Perguntas Frequentes
O guia da ABM é gratuito?
Sim, o Guia Prático para Enfrentamento ao Super El Niño e Eventos Climáticos Extremos está disponível gratuitamente no portal da Associação Brasileira de Municípios.
Quais regiões são mais afetadas pelo El Niño?
Segundo a ABM, Norte e Nordede tendem a enfrentar redução das chuvas e estiagens; Centro-Oeste, aumento de incêndios; Sudeste, calor intenso e irregularidade das chuvas; Sul, temporais, enchentes e deslizamentos.
Qual a probabilidade de o El Niño ser muito forte?
Estudos da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos apontam 81% de probabilidade de intensidade muito forte entre outubro e dezembro, com 97% de chances de permanecer ativo até o início de 2027.
O guia serve para pequenos municípios?
Sim, o material foi elaborado para auxiliar prefeitos e equipes técnicas, incluindo municípios de menor porte que podem não ter estrutura técnica para elaborar planos de contingência do zero.
Quais áreas da administração devem se envolver?
A ABM destaca que a resposta a desastres climáticos deve envolver saúde, assistência social, infraestrutura, educação, meio ambiente e finanças, além da Defesa Civil.
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