# Mulheres formam rede em defesa do clima e dos territórios

> O Programa Defensoras por Defensoras, do Observatório do Clima, reúne 36 ativistas brasileiras em rede de apoio para defesa ambiental e justiça climática. A articulação conecta mulheres de diferentes regiões do Brasil, fortalecendo a troca de vivências e a luta por territórios. A iniciativa amplia a proteção de lideranças femininas frente a conflitos socioambientais.

*Fazen · Sustentabilidade · 03 de agosto de 2026 · Cláudia Renê*

Mulheres de diferentes regiões do Brasil se conectaram em uma rede de apoio e articulação com foco na defesa ambiental e na justiça climática. O Programa Defensoras por Defensoras, do Observatório do Clima, reúne 36 ativistas que trocam vivências e fortalecem a luta em seus terri

## Mulheres formam rede em defesa do clima e dos territórios

Mulheres de diferentes lugares do Brasil se conectaram em uma rede de apoio e articulação que tem como principal elo a defesa ambiental e da justiça climática. O Programa Defensoras por Defensoras, promovido pela rede ambiental Observatório do Clima, reúne histórias de vida ligadas pelos cuidados com as pessoas, o meio ambiente e a memória dos territórios.

São 36 mulheres que atuam na linha de frente do ativismo ambiental e climático. Juntas, elas trocam vivência, compartilham desafios e passam por formações para o fortalecimento da luta em seus territórios.

### Quem são as mulheres que lideram essa rede?

A pernambucana Sara Marques vive na comunidade Caranguejo Tabaiares, em Recife (PE), desde que nasceu. O local, às margens de um braço do Rio Capibaribe, era, há algumas décadas, uma região de pescadores e marisqueiras. Hoje, totalmente integrado à área urbana, sofre os impactos de um crescimento desordenado que tornou o rio improdutivo e pressiona a população local para dar espaço a novos empreendimentos imobiliários.

"Eu tinha essa relação com a natureza, de saber que ia chover quando os caranguejos saíam do buraco, quando os aratus corriam [pequenos caranguejos], quando tinha peixe nos viveiros. Aqui a gente tinha uma cadeia de pescado. Então tinha camarão, siri, aratu, tinha cavalo marinho", lembra Sara.

Ela explica que a comunidade é uma "comunidade pesqueira descaracterizada": o rio foi canalizado, a ilha virou um istmo e os viveiros, antes cheios de espécies, hoje produzem majoritariamente só o camarão.

### A luta pela Mata Atlântica em Santa Catarina

No outro extremo do Brasil, em Santa Catarina, Mirian Prochnow também sentiu despertar a vontade de lutar por um meio ambiente saudável para as próximas gerações quando percebeu que o pedaço de Mata Atlântica onde viveu a infância começou a desaparecer.

"Quando a gente se deparou com centenas de caminhões carregados de Mata Atlântica passando na frente de casa foi o momento em que eu com um grupo de amigos pensamos o que a gente pode fazer e decidimos 'vamos criar uma ONG e vamos salvar o planeta'", relembra.

Do sonho de replantar as árvores e ver o rio vivo, nasceu, há 40 anos, a Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi). O trabalho começou com a produção de mudas de espécies nativas para restauração. "Começou com 18 mudinhas no fundo do quintal. Hoje o viveiro que a gente tem, tem capacidade para mais de um milhão de mudas por ano e 200 espécies diferentes da Mata Atlântica", diz Mirian.

### A visão indígena no ativismo

Foi essa vivência e experiência nas ações que fazem frente aos desafios sociais, ambientais e também de gênero que levaram Valdineia Sauré, conhecida como Val Munduruku, a fazer parte das Defensoras por Defensoras. Nascida em Jacareacanga, no Pará, ela levou o ativismo para a vida universitária, onde começou a entender melhor as conexões entre a proteção da terra, os impactos das mudanças climáticas e como isso afeta de forma diferente cada pessoa.

"O que acontece no território não é algo isolado e a gente, enquanto pessoas que somos parte da solução, precisamos entender isso. Então, o casamento das causas, da universidade, do território, do movimento de mulheres e da juventude, resulta nesse boom no despertar do ativismo", diz Val.

### O cuidado como pauta política

Na união feminina, além de ganharem força para enfrentar os desafios em seus territórios, as mulheres também constroem uma comunicação que ultrapassa os espaços coletivos conquistados. Elas reforçam que pobres, indígenas e mulheres já comunicam essas questões há bastante tempo, mas ainda não recebem a atenção devida.

Em uma publicação lançada recentemente pelo programa Defensoras por Defensoras, o grupo faz uma reflexão sobre o trabalho desenvolvido em relação à Política Nacional de Cuidados (Lei 15.069/2024). No relatório Mulheres que Sustentam o Clima, elas contam suas histórias e apontam lacunas na lei, como a ausência de apoio para lideranças comunitárias e defensoras de território.

"Muitas vezes a gente não tem nem tempo para cuidar do próprio corpo, porque tem outras preocupações de como desenvolver um projeto, como que vai defender o território. Então, a gente sempre pergunta nesse movimento, quem defende as defensoras?", questiona Val.

A partir dessas reflexões, elas também apontam caminhos, como a revisão do conceito de cuidado, indo além da prática cotidiana entre pessoas e alcançando a relação de cuidado com o território.

"Então, oferecer suporte, apoio de todas as formas para que a gente consiga também estar na luta árdua e ao mesmo tempo fazer esse abraçamento coletivo de mulheres que cuidam, de mulheres trans, de pessoas que são mais marginalizadas nos territórios e que precisam ter esse olhar do cuidado espiritual, mental, para poder defender o território", conclui Val Munduruku.

## Perguntas Frequentes

### O que é o Programa Defensoras por Defensoras?

É uma iniciativa promovida pela rede ambiental Observatório do Clima que reúne 36 mulheres que atuam na linha de frente do ativismo ambiental e climático no Brasil.

### Quem são as mulheres que participam da rede?

São mulheres de diferentes regiões do Brasil, como Sara Marques (PE), Mirian Prochnow (SC) e Val Munduruku (PA), que compartilham vivências e desafios na defesa de seus territórios.

### O que é a Política Nacional de Cuidados?

É a Lei 15.069/2024, que o grupo analisa no relatório Mulheres que Sustentam o Clima, apontando lacunas como a ausência de apoio para lideranças comunitárias e defensoras de território.

### Como as mulheres fortalecem a luta ambiental?

Elas trocam experiências, participam de formações e constroem uma comunicação que amplia a consciência sobre os impactos das mudanças climáticas, especialmente entre populações mais vulneráveis.

### Onde posso saber mais sobre a rede?

A publicação Mulheres que Sustentam o Clima, lançada pelo programa Defensoras por Defensoras, reúne as histórias e reflexões do grupo sobre cuidado e território.

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Fonte (canonical): https://www.fazen.com.br/sustentabilidade/mulheres-formam-rede-defesa-clima-territorios/
