Sustentabilidade

Pesquisa mostra preocupação com clima, mas tema fica em segundo plano

ResumoPesquisa Ipsos encomendada pelo Observatório do Clima com 1.800 brasileiros revela contradição: 91% consideram o clima importante, mas a crise ambiental ocupa apenas o nono lugar entre as prioridades nacionais, atrás de segurança, custo de vida e saúde. O levantamento evidencia que a preocupação declarada com o meio ambiente não se traduz em urgência na hierarquia de problemas do país.

Pesquisa da Ipsos a pedido do Observatório do Clima ouviu 1.800 brasileiros: 91% consideram o clima importante, mas a crise ambiental aparece em nono lugar entre as prioridades, atrás de segurança, custo de vida e saúde.

Anderson Fagundes
Anderson Fagundes Especialista em máquinas agrícolas · 17 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Pesquisa mostra preocupação com clima, mas tema fica em segundo plano

Um levantamento com 1.800 brasileiros mostra um descompasso que interessa a quem acompanha o setor produtivo. A pesquisa "Clima e meio ambiente na percepção dos brasileiros", feita pela Ipsos a pedido do Observatório do Clima, aponta que 91% dos entrevistados consideram importantes as mudanças climáticas e a adoção de medidas de preservação ambiental. Ainda assim, o tema aparece em nono lugar quando a pergunta é sobre as principais preocupações da população.

Segurança pública e criminalidade lideram, citadas por 49%. Na sequência vêm o aumento do custo de vida ou a inflação (41%), a violência contra as mulheres e os feminicídios (36%) e a qualidade da saúde pública (34%). As mudanças climáticas e a crise ambiental ficam com 19%.

O que mudou no levantamento é o tamanho da cobrança sobre os candidatos. Para 62% dos entrevistados, é "muito importante" que os presidenciáveis apresentem propostas para enfrentar as mudanças climáticas. Outros 87% concordam que o fenômeno já provoca secas, chuvas intensas e ondas de calor; 85% dizem que ele afeta o cotidiano; 79% defendem priorizar o tema mesmo com custo econômico; e 76% acreditam ser possível evitar os impactos mais graves com medidas imediatas.

Na avaliação de Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, a maioria dos presidenciáveis tem planos fracos ou inexistentes para o tema. "A pesquisa mostra que os brasileiros querem compromissos dos candidatos na agenda climática, mas infelizmente não é o que está acontecendo", afirma. Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas da entidade, acrescenta que o esforço é para que a preocupação se reflita em votos.

Sobre as causas, 58% atribuem o fenômeno principalmente à atividade humana; 36% a uma combinação entre atividade humana e causas naturais; e 5% a causas naturais. Quanto à responsabilidade, 67% consideram que empresas e indústrias têm mais peso do que os cidadãos. O conhecimento sobre o gás metano é restrito: 64% apontaram aterros, lixões e queima de combustíveis fósseis como principal fonte, quando no Brasil a emissão vem principalmente da pecuária.

A pesquisa ouviu pessoas de todo o país, com 18 anos ou mais, entre 17 e 20 de agosto, em questionário online com 32 perguntas. Para quem opera máquina e depende de janela de safra, esse tipo de dado não é abstrato: seca fora de época e chuva concentrada mexem direto no calendário de plantio e colheita, e a conta da parada não fecha. Vale acompanhar impacto do clima no calendário de safra para entender como essa percepção pode virar política pública.

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