# Sete dos dez agrotóxicos mais vendidos no Brasil são proibidos na UE

> Sete dos dez agrotóxicos mais vendidos no Brasil são proibidos na União Europeia, mas continuam sendo exportados por empresas europeias para o país. A geógrafa Larissa Mies Bombardi denunciou o fenômeno como "colonialismo químico" durante conferência na SBPC, destacando a assimetria regulatória entre os mercados. A prática expõe trabalhadores e consumidores brasileiros a substâncias banidas no bloco europeu.

*Fazen · Sustentabilidade · 03 de agosto de 2026 · Geraldo Cavalcanti*

Sete dos dez agrotóxicos mais vendidos no Brasil são proibidos na União Europeia, mas ainda são exportados por empresas europeias para cá. Geógrafa denuncia 'colonialismo químico' em conferência na SBPC.

## Sete dos dez agrotóxicos mais vendidos no Brasil são proibidos na UE

Acordei cedo, como sempre, e fui direto ver a lavoura. No meio do café, parei pra pensar no que ouvi ontem na reunião da associação. Sete dos dez agrotóxicos mais vendidos no Brasil são proibidos na União Europeia (UE). E o pior: isso não impede que esses produtos sejam exportados por empresas europeias para cá. A geógrafa Larissa Mies Bombardi, pesquisadora do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), sediado na França, chama isso de "colonialismo químico".

Sete dos dez agrotóxicos mais vendidos no Brasil são proibidos na União Europeia (UE). A constatação é da geógrafa Larissa Mies Bombardi, pesquisadora do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), da França. Ela denuncia o chamado 'colonialismo químico', já que esses produtos proibidos na UE são exportados por empresas europeias para o país.

## O que são os agrotóxicos e por que alguns são proibidos

Agrotóxicos são produtos químicos usados na agricultura para defender as plantações contra pragas, doenças e plantas daninhas. Larissa estuda o uso desses produtos e suas conexões com a economia global há cerca de 15 anos. Ela aponta que o uso tem consequências nocivas ao ambiente e às saúdes humana e animal. Por isso, alguns são proibidos no exterior.

"São proibidos porque são cancerígenos ou porque provocam malformação fetal ou outros distúrbios hormonais, ou porque provocam severos impactos no ambiente", explica.

## Os 10 agrotóxicos mais vendidos no Brasil em 2023

A pesquisadora apresentou os dados durante uma conferência na 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A SBPC é uma entidade civil, sem fins lucrativos, voltada para a defesa do avanço científico e tecnológico no país.

## Impactos no ambiente e na biodiversidade

Larissa cita que, no intervalo de dez anos (2009-2019), houve declínio de 41% no número de insetos no mundo. No caso de borboletas, chega a 53%. Os dados constam no estudo Atlas dos Pesticidas 2022, da Heinrich-Böll-Stiftung, fundação ligada ao Partido Verde da Alemanha.

"São substâncias que afetam os insetos e, afetando os insetos, afetam a biodiversidade, por isso que eles são proibidos na União Europeia".

Outro exemplo é o herbicida atrazina, o sexto mais vendido no Brasil. Ele pode causar anomalias em anfíbios, como a mudança de sexo em sapos, o que pode levar à eliminação de fêmeas. "Imaginem o que pode significar a eliminação, por exemplo, das fêmeas em uma espécie", provoca.

## O Brasil como principal destino de pesticidas proibidos

O Brasil é o principal destino da exportação de pesticidas proibidos na UE. Foram 3 mil toneladas em 2023, superando a quantidade dos três países que aparecem na sequência: Ucrânia, Estados Unidos e Rússia, que somam 2,6 mil toneladas.

## O domínio de quatro empresas no mercado

Larissa critica que o mercado de sementes resistentes a pragas e de agrotóxicos é dominado por apenas quatro empresas, duas delas europeias: Basf e Bayer (ambas alemãs), a americana Corteva e a chinesa Sinochem. As quatro detêm 51% do mercado de sementes e 62% do de agrotóxicos. Essa estrutura é resultado de um histórico de fusões e aquisições.

"O capitalismo foi se organizando de uma forma em que essas empresas subordinam a renda da terra", pontua.

A pesquisadora compara esse novo tipo de colonialismo ao período da escravidão. "A gente tinha empresas europeias comercializando pessoas para serem escravizadas, em uma época em que, obviamente, a escravização de seres humanos era impensável no território europeu", relaciona.

## A questão fundiária e a colonialidade

Para Larissa, "o colonialismo não existe sem a colonialidade". Ela aponta que grandes proprietários concentram a maior parte da terra no país. "A gente nunca vai entender o uso de agrotóxicos no Brasil se a gente não entender a questão fundiária", afirma. "Independentemente dos governos, essa classe que monopoliza a terra no Brasil dita as regras", complementa.

Atualmente, Larissa vive na Bélgica, onde também é pesquisadora do Laboratório de Agroecologia da Universidade Livre de Bruxelas. Ela está fora do Brasil desde 2021, quando se sentiu insegura de continuar no país, após uma série de ameaças recebidas depois da publicação de um atlas, em 2019, no qual expôs a presença de resíduos agrotóxicos nos alimentos brasileiros. Ela está licenciada do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP).

## O que diz a legislação brasileira

Em 2023, passou a valer a Lei 14.785, conhecida como Lei dos Agrotóxicos, que estabelece critérios para o uso dos defensores agrícolas. A legislação determina que os registros são feitos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). O processo conta com avaliação toxicológica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e avaliação ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

À Agência Brasil, a Anvisa informou que cada país possui "regramento próprio para a concessão e manutenção de registros de produtos". Uma vez concedido o registro, o prazo de validade é indefinido. No entanto, a legislação prevê a reanálise de produtos registrados no Brasil quando há indicação de perigo ou risco à saúde humana e ao meio ambiente, "podendo culminar na manutenção de um produto, imposição de restrições específicas ou o seu banimento".

Desde 2006, a Anvisa finalizou 20 reavaliações. Foram proibidos 13 ingredientes ativos: carbendazim, cihexatina, carbofurano, endossilfam, forato, lindano, metamidifós, monocrotofós, paraquate, parationa metílica, pentaclorofenol, procloraz e triclorfom. Para seis ingredientes (2,4-D, abamectina, acefato, forsmete, glifosato e tiram), foram estabelecidas restrições. Apenas um foi mantido sem restrições (lactofem).

Entre os sete ingredientes priorizados na última lista publicada pela Anvisa, um foi banido (carbendazim), quatro estão com reavaliação em andamento (tiofanato-metílico, epoxiconazol, procimidona e clorpirifós) e dois aguardam o início (linurom e clorotalonil).

## O papel do Brasil e da agricultura familiar

A pesquisadora acredita que o Brasil, como potência na agricultura e um dos maiores consumidores de agrotóxicos no mundo, tem capacidade para ser protagonista em esforços para uma regulamentação internacional desses insumos e para mais incentivo à agricultura familiar. "A gente tem que romper esse ciclo colonialista. Penso que isso se faz com o aumento da conscientização, que dá suporte à construção das políticas públicas", sugere.

Aqui no sítio, a gente sente na pele o peso dessa escolha. A terra devolve o cuidado de quem fica. E saber o que a gente aplica, de onde vem e por que é proibido lá fora, é o primeiro passo pra decidir com consciência. como reduzir o uso de agrotóxicos na pequena propriedade

## Perguntas Frequentes

### Quais agrotóxicos são proibidos na UE?

Os dados apresentados pela pesquisadora mostram que sete dos dez mais vendidos no Brasil são proibidos na UE. A lista completa dos 10 mais utilizados em 2023 foi apresentada na conferência da SBPC, mas os nomes específicos de todos os sete não foram detalhados individualmente na fonte original.

### Por que esses agrotóxicos são proibidos na UE?

Segundo a geógrafa Larissa Bombardi, são proibidos porque são cancerígenos, provocam malformação fetal, distúrbios hormonais ou severos impactos no ambiente.

### O que é colonialismo químico?

É o termo usado pela pesquisadora para descrever a situação em que o Brasil aceita em terras nacionais o uso de substâncias proibidas na UE e exportadas para cá por empresas europeias.

### O que a Anvisa faz para controlar esses produtos?

A Anvisa realiza reavaliações de produtos registrados. Desde 2006, finalizou 20 reavaliações, que resultaram na proibição de 13 ingredientes ativos e em restrições para outros seis.

### O que é a Lei dos Agrotóxicos?

É a Lei 14.785, que passou a valer em 2023, estabelecendo critérios para o uso dos defensores agrícolas no Brasil, com registros feitos pelo MAPA e avaliações da Anvisa e do Ibama.

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Fonte (canonical): https://www.fazen.com.br/sustentabilidade/sete-dez-agrotoxicos-mais-vendidos-brasil-sao-proibidos-ue/
