# Sociedade civil rejeita agenda excludente aprovada no início da COP17

> A COP17, em Ulaanbaatar, teve sua agenda oficial rejeitada pelo CSO Panel da sociedade civil. A exclusão de temas de gênero e participação social, impulsionada por oposição dos EUA, gerou alerta sobre um resultado tecnocrático. O painel criticou o documento por distanciar-se das populações afetadas, demandando inclusão efetiva nas negociações climáticas.

*Fazen · Sustentabilidade · 20 de agosto de 2026 · Anderson Fagundes*

A agenda oficial da COP17, em Ulaanbaatar, excluiu temas de gênero e participação social após oposição dos EUA. CSO Panel rejeitou o documento, alertando para um resultado tecnocrático e distante das populações afetadas.

Nos primeiros dias da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), em Ulaanbaatar, Mongólia, organizações sociais tiveram uma decepção. A agenda oficial, que define o que os governos concordam em negociar durante o evento, excluiu temas de gênero e participação social. A retirada ocorreu depois que os Estados Unidos se opuseram aos assuntos. Brasil e União Europeia defenderam a manutenção, mas é preciso consenso entre as 197 partes da convenção para que a agenda seja aprovada.

O Civil Society Organization (CSO) Panel, que reúne cerca de 1,2 mil organizações pelo mundo, rejeitou o documento e disse que a comunidade "está chocada e profundamente preocupada". O entendimento é de que os governos sinalizaram preferir focar em aspectos técnicos e econômicos, deixando de lado os impactos sociais da desertificação e da seca. O risco, segundo as organizações, é que o resultado final da COP17 seja tecnocrático e distante da realidade das populações que mais sofrem com os problemas da terra.

"Comunidades locais, povos indígenas, agricultores, pastores, mulheres, jovens, pesquisadores e organizações da sociedade civil trazem conhecimento, experiência e soluções dos territórios onde a degradação do solo, a desertificação e a seca são enfrentadas diariamente", informa a nota do CSO Panel. As organizações insistiram que as decisões no evento precisam ser coletivas: políticos, cientistas e empresas não podem enfrentar sozinhos problemas que afetam milhões de pessoas no planeta.

O texto oficial também não prevê processos para integrar melhor as três convenções das Nações Unidas sobre meio ambiente: a da Terra (UNCCD), da Biodiversidade (CBD) e do Clima (UNFCCC). Esse é um dos pontos centrais defendidos por especialistas para torná-las mais efetivas. As três convenções nasceram a partir da Rio 92, evento que deu origem às discussões e tratados modernos de meio ambiente e clima. No ano passado, durante a 30ª Conferência Sobre Mudanças Climáticas (COP30), líderes das três convenções lançaram a Declaração Conjunta de Belém sobre as Convenções do Rio (Belem Joint Statement on the Rio Conventions). O documento destacou que as crises de clima, biodiversidade e degradação do solo estão interligadas e que tratar esses temas de forma isolada prejudica o desenvolvimento sustentável e a eficácia global das medidas de proteção ambiental.

A Agência Brasil acompanha a COP17 da Desertificação diretamente da Mongólia. A viagem é uma parceria com a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), que selecionou seis repórteres de diferentes continentes com uma bolsa de jornalismo para cobrir a conferência.

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Fonte (canonical): https://www.fazen.com.br/sustentabilidade/sociedade-civil-rejeita-agenda-excludente-aprovada-inicio-cop17/
