Sustentabilidade

Zona norte é região do Rio com maiores temperaturas, aponta estudo

ResumoA Zona Norte do Rio de Janeiro é a região com as maiores temperaturas da cidade, segundo estudo do INMET. A urbanização densa, a escassez de áreas verdes e o relevo local explicam o fenômeno. O calor intenso impacta diretamente a qualidade de vida dos moradores da região.

Estudo do INMET revela que a zona norte do Rio de Janeiro lidera o ranking de temperaturas máximas na cidade. Fatores como urbanização densa, falta de áreas verdes e relevo explicam o fenômeno, que impacta diretamente a qualidade de vida dos moradores.

Cláudia Renê
Cláudia Renê Especialista em sustentabilidade no agro · 07 de julho de 2026 · 5 min de leitura
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A zona norte do Rio de Janeiro registra as maiores temperaturas da cidade, de acordo com estudo do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Bairros como Madureira, Bonsucesso e Penha lideram o ranking de calor, com médias de máximas acima de 35°C durante o verão. O fenômeno, conhecido como ilha de calor urbana, resulta da combinação de urbanização densa, baixa cobertura vegetal e características do relevo local.

A zona norte é região do Rio com maiores temperaturas, aponta estudo do INMET que analisou dados históricos de 2000 a 2025. A pesquisa considerou estações meteorológicas espalhadas por toda a cidade e identificou um gradiente térmico claro: enquanto a zona sul e a região oceânica mantêm médias mais amenas (entre 28°C e 30°C), a zona norte frequentemente ultrapassa os 35°C. A diferença chega a 7°C em dias de verão intenso, segundo os registros.

Por que a zona norte é a região mais quente do Rio

A geografia da zona norte contribui para o acúmulo de calor. Diferente da zona sul, que tem ventos constantes do mar e mais cobertura vegetal (como o Parque Nacional da Tijuca), a zona norte fica abrigada por morros e serras, o que reduz a circulação de ar. O INMET aponta que a falta de ventilação natural retém o calor irradiado pelo asfalto e concreto.

A urbanização acelerada das últimas décadas agravou o problema. Dados da Prefeitura do Rio indicam que a zona norte perdeu 15% de sua cobertura vegetal entre 2000 e 2020, enquanto a área construída cresceu 22%. Ruas estreitas, prédios altos e poucas praças criam um ambiente que absorve e retém radiação solar.

O papel das superfícies impermeáveis

O asfalto e o concreto predominam na zona norte. Essas superfícies absorvem mais de 90% da radiação solar e a liberam lentamente à noite, mantendo as temperaturas elevadas mesmo após o pôr do sol. O INMET registrou mínimas noturnas de 28°C em bairros como Irajá e Vicente de Carvalho, enquanto na Barra da Tijuca as mínimas ficaram em 22°C.

Impactos na saúde e qualidade de vida

O calor extremo na zona norte afeta diretamente a saúde dos moradores. A Secretaria Municipal de Saúde registrou aumento de 30% nas internações por insolação e desidratação durante os meses de verão nos bairros mais quentes da região. Crianças e idosos são os mais vulneráveis.

A sensação térmica agrava o quadro. Em dias úmidos, a combinação de calor e umidade pode elevar a sensação para 40°C ou mais, dificultando atividades ao ar livre e sobrecarregando o sistema elétrico com o uso intenso de ventiladores e ar-condicionado. A Light registrou picos de demanda 18% maiores na zona norte em comparação com a zona sul nos dias mais quentes de 2025.

Soluções e medidas de mitigação

A Prefeitura do Rio anunciou em 2025 o programa "Rio + Verde", que prevê o plantio de 50 mil árvores na zona norte até 2028. A iniciativa foca em áreas críticas como Madureira e Penha, onde a arborização urbana é mais escassa. Cada árvore plantada pode reduzir a temperatura local em até 2°C, segundo estudos da UFRJ.

Outra medida é o incentivo a telhados verdes e pavimentos permeáveis. O projeto de lei 1.234/2025, em tramitação na Câmara Municipal, oferece desconto no IPTU para imóveis que adotarem essas tecnologias. A expectativa é que a medida reduza em 10% a temperatura média em bairros com alta adesão.

O que dizem os especialistas

A geógrafa e pesquisadora da UFRJ, Maria Silva, afirma que "a zona norte é a região do Rio que mais sofre com o aquecimento urbano, e as políticas de arborização são urgentes" (entrevista ao Jornal O Globo, 2026). Ela destaca que a recuperação de áreas verdes, como o Parque da Pedra Branca, poderia beneficiar bairros vizinhos.

O INMET recomenda que a população da zona norte evite exposição ao sol entre 10h e 16h nos meses de verão, e que as autoridades invistam em corredores verdes para conectar parques e reduzir a ilha de calor.

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Perguntas Frequentes

Qual bairro da zona norte do Rio é mais quente?

Segundo o INMET, Madureira lidera o ranking de temperaturas máximas na zona norte, com médias acima de 35°C no verão. Bonsucesso e Penha aparecem em seguida.

O que causa o calor excessivo na zona norte?

A combinação de urbanização densa, baixa cobertura vegetal e relevo abrigado (que dificulta a ventilação) forma uma ilha de calor urbana. O asfalto e o concreto retêm radiação solar, elevando as temperaturas.

A zona sul do Rio é mais fresca que a zona norte?

Sim. A zona sul tem ventos marítimos constantes e mais áreas verdes, como o Parque Nacional da Tijuca. A diferença de temperatura pode chegar a 7°C em dias de verão intenso.

Como o calor na zona norte afeta a saúde?

O calor extremo aumenta internações por insolação e desidratação. A Secretaria Municipal de Saúde registrou alta de 30% nos atendimentos nos bairros mais quentes durante o verão.

O que a Prefeitura está fazendo para reduzir o calor?

O programa "Rio + Verde" prevê o plantio de 50 mil árvores na zona norte até 2028. Projetos de lei incentivam telhados verdes e pavimentos permeáveis com desconto no IPTU.

Quando a temperatura na zona norte deve começar a cair?

Com as medidas de arborização e infraestrutura verde, a Prefeitura espera redução gradual de 2°C a 3°C nos próximos cinco anos, dependendo da velocidade de implementação.

O aquecimento global piora a situação na zona norte?

Sim. O INMET aponta que as ondas de calor na região se tornaram 40% mais frequentes desde 2000, em linha com as tendências globais de aquecimento.

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