Sustentabilidade

Zona norte é região do Rio com maiores temperaturas, aponta estudo

ResumoA Zona Norte do Rio de Janeiro apresenta as maiores temperaturas da cidade, conforme estudo do INMET. A urbanização densa e o relevo local elevam os termômetros acima da média municipal, impactando diretamente o conforto térmico da população.

A Zona Norte do Rio de Janeiro é a região com as maiores temperaturas da cidade, segundo dados do INMET. O estudo aponta que a combinação de urbanização densa e relevo local eleva os termômetros acima da média municipal, com impactos diretos no conforto térmico da população.

Tarcísio Maia
Tarcísio Maia Analista de mercado agrícola · 07 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Inmet: instabilidades provocam chuva em grande parte do país

A Zona Norte do Rio de Janeiro concentra as maiores temperaturas da capital fluminense, segundo levantamento do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) sobre a série histórica entre 2020 e 2025. O dado coloca bairros como Madureira, Irajá e Penha como os mais quentes da cidade, com médias consistentemente superiores às registradas na Zona Sul e na região central.

Dados do INMET apontam que a temperatura média na Zona Norte ultrapassa os 30°C nos meses de verão, enquanto a Zona Sul fica abaixo dos 28°C. A diferença chega a 4°C em dias de forte calor, segundo o estudo, que analisou estações meteorológicas em 12 bairros da cidade.

Por que a Zona Norte é mais quente?

A explicação combina fatores urbanos e geográficos. A Zona Norte tem densidade populacional maior e menos áreas verdes por habitante que a Zona Sul. O asfalto e o concreto retêm calor durante o dia e liberam à noite, fenômeno conhecido como ilha de calor urbana. A Prefeitura do Rio estima que a cobertura vegetal na Zona Norte seja 30% menor que na média da cidade.

O relevo também pesa. A Zona Norte ocupa áreas de baixada, cercadas por morros que bloqueiam a circulação dos ventos marítimos. Enquanto a Zona Sul recebe brisa direta do Oceano Atlântico, a Zona Norte fica abrigada, e mais quente. O INMET registrou que a velocidade média dos ventos na Zona Norte é 40% menor que na orla.

O papel da urbanização

A urbanização acelerada desde os anos 1970 transformou a Zona Norte em um mosaico de concreto. Bairros como Madureira e Irajá perderam 20% de sua cobertura vegetal entre 2000 e 2020, segundo dados da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. A substituição de árvores por edifícios e asfalto elevou a temperatura local em 1,5°C no período.

O estudo do INMET cruzou dados de satélite com estações de solo e mostrou que as superfícies impermeáveis (asfalto, telhados, calçadas) cobrem 75% da Zona Norte, contra 55% na Zona Sul. Essa diferença explica por que a Zona Norte aquece mais rápido durante o dia e esfria mais devagar à noite.

Impactos no conforto térmico e na saúde

As temperaturas mais altas afetam diretamente a qualidade de vida. A Secretaria Estadual de Saúde registrou aumento de 15% nas internações por doenças respiratórias e cardiovasculares durante ondas de calor na Zona Norte, em comparação com a média da cidade. O estudo recomenda políticas públicas de arborização e telhados frios para mitigar o efeito.

Comparação com outras regiões

A Zona Sul, com bairros como Copacabana e Ipanema, tem temperatura média 2,5°C menor que a Zona Norte nos meses de janeiro e fevereiro. O Centro do Rio fica em posição intermediária, com médias 1°C abaixo da Zona Norte. A Zona Oeste, apesar de mais afastada, registra temperaturas próximas às da Zona Norte em áreas densamente urbanizadas como Campo Grande.

O que dizem os especialistas

Geógrafos da UFRJ apontam que a Zona Norte sofre com a combinação de baixa altitude, pouca ventilação e alta densidade construtiva. Em entrevista ao jornal O Globo em 2024, o climatologista José Marengo afirmou que "a Zona Norte é um exemplo clássico de ilha de calor urbana, agravada pela falta de áreas verdes".

Medidas para reduzir o calor

A Prefeitura do Rio lançou em 2025 o programa "Rio Mais Fresco", que prevê plantio de 50 mil árvores na Zona Norte até 2028. O projeto também incentiva telhados verdes e calçadas drenantes em novas construções. A meta é reduzir a temperatura local em 1°C até 2030 arborização urbana no Rio de Janeiro.

Para o produtor rural e o trader, a temperatura urbana não impacta diretamente a cotação de grãos, mas o fenômeno sinaliza tendências climáticas regionais. O calor intenso na Zona Norte reflete padrões de aquecimento que também afetam áreas agrícolas do estado, como a Baixada Fluminense. Acompanhar esses dados ajuda a calibrar expectativas de safra e logística.

Perguntas Frequentes

A Zona Norte é sempre a região mais quente do Rio?

Sim, segundo o INMET, a Zona Norte lidera as médias de temperatura na cidade, especialmente no verão. A diferença para a Zona Sul chega a 4°C em dias de forte calor.

Qual bairro da Zona Norte é o mais quente?

Madureira e Irajá estão entre os bairros com maiores temperaturas, segundo o estudo do INMET. Ambos registraram médias acima de 31°C em janeiro de 2025.

O que causa as altas temperaturas na Zona Norte?

A urbanização densa, com pouca área verde e muito asfalto, combinada com o relevo de baixada que bloqueia os ventos marítimos, explica o fenômeno.

A temperatura na Zona Norte vai continuar subindo?

Os modelos do INMET indicam tendência de alta de 0,5°C a 1°C até 2030, caso não haja políticas de arborização e redução da impermeabilização do solo.

Como se proteger do calor na Zona Norte?

A recomendação é aumentar áreas verdes em lotes particulares, usar telhados claros ou verdes e priorizar ventilação cruzada nas construções. O poder público deve ampliar a arborização de ruas e praças.

O estudo do INMET considera mudanças climáticas?

Sim, o levantamento insere os dados do Rio no contexto das mudanças climáticas globais, apontando que eventos de calor extremo na Zona Norte devem se tornar mais frequentes nas próximas décadas.

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