9 pragas mais comuns na lavoura e controle: guia prático
Lagarta-do-cartucho, percevejo-marrom, mosca-branca e outras pragas que tiram o sono do produtor. Aprenda a identificar, monitorar e controlar cada uma com manejo integrado.
Nenhuma lavoura escapa. Todo talhão, uma hora ou outra, recebe visita indesejada. Conhecer as pragas mais comuns na lavoura e controle adequado é o que separa uma safra perdida de uma colheita que paga a conta. Neste guia, vou direto ao ponto: as 9 pragas que mais aparecem no campo brasileiro, como identificar cada uma e o que fazer para controlar sem gastar mais do que o necessário.
1. Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)
Essa é a praga número um do milho. Ela ataca desde a emergência até o pendoamento, abrindo janelas nas folhas e danificando o cartucho. O controle exige monitoramento semanal a partir do plantio. Inseticidas biológicos à base de Bacillus thuringiensis funcionam bem em lavouras com baixa pressão. Em talhões com histórico pesado, a rotação de princípios ativos é obrigatória para evitar resistência.
2. Percevejo-marrom (Euschistus heros)
Nas lavouras de soja, o percevejo-marrom é o campeão de prejuízo. Ele suga os grãos na fase de enchimento, causando retenção foliar e grãos chochos. O nível de controle é de 2 percevejos por metro linear no período de R5. O manejo integrado com liberação de tachinídeos (moscas parasitas) reduz a aplicação de químico em até 40%.
3. Mosca-branca (Bemisia tabaci)
Antes praga secundária, hoje virou problema sério na soja e no feijão. Ela transmite viroses como o mosaico-dourado. O controle começa com a eliminação de plantas voluntárias (tigueras) na entressafra. Inseticidas sistêmicos no tratamento de sementes protegem as primeiras semanas. Depois, o monitoramento com cartelas adesivas amarelas ajuda a decidir a hora certa da pulverização.
4. Lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis)
Desfolhadora típica, ela aparece no final do ciclo vegetativo e início do reprodutivo. Come as folhas de baixo para cima. O nível de controle é de 20% de desfolha no período vegetativo e 15% no reprodutivo. O baculovírus Anticarsia é um controle biológico consagrado e barato, com eficiência acima de 80% se aplicado no início da infestação.
5. Bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis)
Se você planta algodão, essa é a praga mais crítica. Ela ataca botões florais e maçãs, reduzindo a produtividade em até 70% sem controle. O monitoramento com feromônio é essencial. A destruição de restos culturais e a rotação com soja ou milho quebram o ciclo. Inseticidas específicos devem ser aplicados no pico de emergência dos adultos.
6. Pulgão-do-milho (Rhopalosiphum maidis)
Colônias nas folhas e no cartucho do milho. Ele suga seiva e excreta honeydew, que favorece a fumagina, atrapalhando a fotossíntese. O controle químico só se justifica quando 50% das plantas estão infestadas antes do pendoamento. Em lavouras com plantio direto, a palhada abriga inimigos naturais como joaninhas, que seguram a população.
7. Ácaro-rajado (Tetranychus urticae)
Comum em soja e algodão em períodos de estiagem. Ele forma teias na face inferior das folhas, que ficam com pontuações amareladas. O controle preventivo é a irrigação ou o manejo da densidade de plantio para evitar estresse hídrico. Acaricidas específicos são necessários quando 30% das plantas apresentam sintomas. Evite piretróides, que matam os ácaros predadores.
8. Tripes (Frankliniella spp. e Thrips tabaci)
Pragas pequenas, mas perigosas na fase inicial da soja e do milho. Elas raspam as folhas, causando deformações e prateamento. O tratamento de sementes com inseticidas neonicotinoides protege até 20 dias. Se a pressão continuar, aplique produtos registrados para a cultura no estágio V2 a V4. A rotação com culturas não hospedeiras, como braquiária, reduz a população.
9. Coró-da-soja (Phyllophaga cuyabana)
Larva que ataca as raízes da soja, causando tombamento e plantas raquíticas. O problema é maior em solos arenosos e com plantio direto mal manejado. O monitoramento é feito com pano de batida no solo. O controle biológico com fungos entomopatogênicos (Metarhizium anisopliae) aplicado no sulco de plantio tem mostrado resultados consistentes em Mato Grosso.
Como escolher a estratégia de controle
Não existe receita única. Cada talhão tem seu histórico. O caminho mais seguro é o monitoramento semanal, com pano de batida na soja e contagem de plantas no milho. Anote os números. Se a praga ultrapassar o nível de controle, aplique o produto mais seletivo para preservar os inimigos naturais. A rotação de culturas e de princípios ativos é o que segura a resistência. Isso eu vi dar certo no talhão: gastar menos com defensivo e colher mais.
Perguntas Frequentes
Qual a praga mais destrutiva para a soja?
O percevejo-marrom é o que mais causa perda de produtividade na soja, principalmente na fase de enchimento de grãos (R5). Uma infestação alta pode reduzir a produção em mais de 30%.
Como controlar lagarta-do-cartucho sem usar químico?
O controle biológico com Bacillus thuringiensis (Bt) é eficiente em infestações iniciais. Também vale liberar Trichogramma, uma vespinha que parasita os ovos da lagarta. O monitoramento precoce é essencial.
O que é manejo integrado de pragas?
É a estratégia que combina monitoramento, controle biológico, químico seletivo, rotação de culturas e práticas culturais para manter a praga abaixo do nível de dano econômico, sem depender só de inseticida.
Mosca-branca na soja: quando aplicar inseticida?
O nível de controle é de 2 a 3 moscas por folíolo no terço médio da planta. Aplicar antes disso é desperdício. Use produtos registrados e faça rotação de grupos químicos para evitar resistência.
Pulgão-do-milho causa dano direto?
Sim, mas o dano indireto pela fumagina (fungo que cresce sobre o honeydew) pode ser maior, reduzindo a área fotossintética. O controle só se justifica se mais de 50% das plantas estiverem infestadas antes do pendoamento.
Coró-da-soja tem controle preventivo?
Sim. O tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos e a aplicação de fungos entomopatogênicos no sulco de plantio são as medidas preventivas mais eficazes. Solos bem drenados e com matéria orgânica equilibrada também ajudam.


