# Brasil precisa garantir contrapartidas para receber data centers, alertam pesquisadores

> Pesquisadores alertam que o Brasil precisa estabelecer regras claras e contrapartidas para receber data centers, evitando repetir a exploração histórica de recursos. O debate na SBPC, em Niterói, cobrou participação da ciência e das comunidades afetadas nas decisões sobre a instalação dessas infraestruturas.

*Fazen · Tecnologia no Campo · 28 de julho de 2026 · Anderson Fagundes*

Pesquisadores alertam que o Brasil precisa de regras claras e contrapartidas para receber data centers, sob risco de repetir exploração histórica de recursos. Debate na SBPC, em Niterói, cobrou participação da ciência e comunidades afetadas nas decisões.

Eu já desmontei motor de trator que parou na safra por falta de manutenção preventiva. A mesma lógica vale para infraestrutura digital: se não houver planejamento e regras claras, o custo aparece depois. Foi esse o tom do debate que ocorreu nesta segunda-feira (27), em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, como parte da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Pesquisadores defenderam que a expansão dos data centers no Brasil exige contrapartidas e transparência, sob risco de repetir uma lógica histórica de exploração de recursos naturais sem benefícios reais para o país.

O problema não é receber data centers, mas receber esses investimentos sem negociação. Foi o que afirmou o professor Mauro Oliveira, do Instituto Federal do Ceará (IFCE), durante o debate. Segundo ele, o Brasil precisa definir o que quer exigir em troca. A discussão, na visão do pesquisador, ainda está restrita a poucos setores e deveria mobilizar universidades, governo e sociedade. Ele destacou que esses empreendimentos trazem desafios relacionados ao consumo de energia, à soberania digital e ao controle da infraestrutura tecnológica.

Oliveira citou o projeto de instalação de um grande data center voltado à inteligência artificial no Ceará. Segundo ele, a unidade deverá consumir cerca de 300 megawatts de potência, demanda equivalente à capacidade de abastecimento de milhões de pessoas. "O mundo, hoje, não consegue produzir energia suficiente para atender à demanda projetada pelos data centers de inteligência artificial", disse. Além da energia, ele defendeu que o país estabeleça mecanismos permanentes de monitoramento, auditoria e transparência sobre os projetos. "O papel das universidades é participar desse debate. Não somos contra os data centers. Somos contra a ausência da universidade na discussão sobre as condições em que eles estão sendo implantados", completou.

Sob a perspectiva do direito ambiental, o professor Dan Levy, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), argumentou que os impactos provocados pelos data centers vão além do consumo de água e energia. Segundo ele, também devem ser considerados efeitos como poluição sonora, pressão sobre recursos naturais, conflitos territoriais, desigualdades sociais e riscos para comunidades vulneráveis. "A transição digital e a transição ecológica não podem ser tratadas como processos independentes. É preciso incorporar critérios de sustentabilidade, transparência e participação social", defendeu.

Levy também associou a expansão dos data centers ao conceito de colonialismo digital, segundo o qual países do Sul Global passam a fornecer recursos naturais, como energia, água e território, para sustentar a infraestrutura tecnológica das grandes empresas do Norte Global. "A gente não é contra o desenvolvimento. A questão é como esse desenvolvimento é realizado e quem suporta seus custos", concluiu.

O debate na SBPC reforça que a instalação de data centers não pode ser tratada como um processo puramente técnico. Precisa de regras que garantam benefícios ao país e reduzam impactos socioambientais. Para quem lida com máquina pesada, a lição é a mesma: sem manutenção e planejamento, a parada vem. E na safra, máquina parada é dinheiro queimando.

## Perguntas Frequentes

### O que são data centers?

Data centers são grandes centros de processamento e armazenamento de dados que sustentam serviços digitais, como inteligência artificial, nuvem e streaming.

### Quais são os principais impactos dos data centers?

Consumo elevado de energia e água, poluição sonora, pressão sobre recursos naturais, conflitos territoriais e riscos para comunidades vulneráveis.

### O que o Brasil deve exigir como contrapartida?

Políticas públicas, monitoramento, auditoria, transparência e participação da comunidade científica e das comunidades afetadas.

### O que é colonialismo digital?

Conceito que descreve países do Sul Global fornecendo recursos naturais para sustentar a infraestrutura tecnológica de empresas do Norte Global.

### Por que a SBPC está discutindo data centers?

A 78ª Reunião Anual da SBPC, em Niterói, trouxe o tema para debater os desafios e as contrapartidas necessárias para a instalação desses empreendimentos no Brasil.

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Fonte (canonical): https://www.fazen.com.br/tecnologia-no-campo/brasil-precisa-garantir-contrapartidas-receber-data-centers/
