BNDES busca mobilizar até R$ 6 bi para mercado de crédito de carbono
O BNDES anunciou plano de mobilizar até R$ 6 bilhões em recursos para fomentar o mercado de crédito de carbono no Brasil. A iniciativa, que envolve linhas de financiamento e parcerias, mira projetos de redução de emissões, com foco no agronegócio e na indústria.
BNDES busca mobilizar até R$ 6 bi para mercado de crédito de carbono
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou planos de mobilizar até R$ 6 bilhões para alavancar o mercado de crédito de carbono no Brasil. A iniciativa, ainda em fase de estruturação, prevê linhas de financiamento e parcerias com o setor privado. O foco está em projetos de redução de emissões de gases de efeito estufa, especialmente no agronegócio e na indústria.
O BNDES planeja mobilizar até R$ 6 bilhões para o mercado de crédito de carbono, por meio de linhas de financiamento e parcerias. O objetivo é apoiar projetos de redução de emissões, como reflorestamento e energia limpa, com foco no agronegócio e na indústria. O banco ainda não divulgou o cronograma completo de lançamento.
O que é o crédito de carbono e como funciona
O crédito de carbono é um certificado que representa a redução de uma tonelada de dióxido de carbono equivalente (tCO2e) da atmosfera. Empresas que emitem gases podem comprar esses créditos para compensar suas emissões. O mercado, regulado por normas nacionais e internacionais, ganha tração com o compromisso brasileiro de reduzir emissões em 37% até 2025 (Acordo de Paris, 2015).
No Brasil, o mercado voluntário de carbono movimentou cerca de R$ 1,2 bilhão em 2024, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). A entrada do BNDES com R$ 6 bilhões pode quadruplicar esse volume.
Como o BNDES planeja usar os R$ 6 bilhões
O banco ainda não detalhou o desenho final das linhas de crédito. Fontes do mercado indicam que os recursos serão direcionados a:
- Projetos de reflorestamento e recuperação de pastagens: com potencial de gerar créditos de carbono de alta integridade.
- Energia renovável: usinas solares, eólicas e de biomassa que substituam fontes fósseis.
- Mudança de uso da terra: práticas agrícolas de baixo carbono, como plantio direto e integração lavoura-pecuária-floresta.
O BNDES estima que cada R$ 1 investido pode gerar até 0,5 tCO2e de redução, com base em projetos-piloto analisados pelo banco.
Quem pode acessar os recursos
A prioridade será para empresas e cooperativas do agronegócio, indústrias de médio e grande porte, e projetos com certificação internacional. O banco exige que os projetos estejam alinhados à Política Nacional de Mudança do Clima (Lei 12.187/2009).
O BNDES também planeja parcerias com certificadoras como Verra e Gold Standard, para garantir a qualidade dos créditos. A taxa de juros ainda não foi definida, mas deve seguir a Taxa de Longo Prazo (TLP), atualmente em 6,5% ao ano.
Impacto para o produtor rural
O produtor rural que adota práticas de baixo carbono pode se beneficiar diretamente. Cada hectare de pastagem recuperada pode gerar de 3 a 5 créditos de carbono por ano, segundo a Embrapa. Com o crédito cotado entre R$ 50 e R$ 100 no mercado voluntário, a receita adicional pode chegar a R$ 500 por hectare ao ano.
O BNDES prevê que o programa vai financiar a recuperação de até 2 milhões de hectares em cinco anos. Isso representaria a geração de 10 milhões de créditos de carbono, com valor estimado de R$ 750 milhões a R$ 1 bilhão.
Desafios e críticas
Especialistas apontam riscos. O mercado voluntário de carbono ainda carece de regulação robusta no Brasil. O Projeto de Lei 528/2021, que cria o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), tramita no Congresso sem previsão de votação.
Outro ponto é a contabilidade dos créditos. Sem metodologias padronizadas, há risco de dupla contagem ou de projetos que não geram reduções reais. O BNDES afirma que exigirá auditoria independente em todos os projetos financiados.
Comparação com iniciativas internacionais
Países como a Colômbia e o México já estruturaram fundos públicos de carbono. O Fundo de Carbono da Colômbia, criado em 2017, mobilizou US$ 200 milhões em três anos. O BNDES, com R$ 6 bilhões (cerca de US$ 1,2 bilhão), teria o maior fundo público de carbono da América Latina.
Para saber mais sobre financiamento verde, veja linhas de crédito sustentável do BNDES.
Perguntas Frequentes
O BNDES já liberou os R$ 6 bilhões?
Não. O valor é uma meta de mobilização, ainda em fase de estruturação. O banco não divulgou prazo para o lançamento oficial.
Quem pode solicitar o crédito?
Empresas e cooperativas do agronegócio e indústria, com projetos de redução de emissões certificados ou em processo de certificação.
Qual a taxa de juros?
Ainda não definida. Deve seguir a TLP, mas pode haver subsídios para projetos de baixo carbono.
O crédito de carbono é tributado?
Sim. A Receita Federal define que a venda de créditos de carbono é tributada como receita operacional, sujeita a IRPJ e CSLL.
Como o produtor rural pode se preparar?
Adotar práticas de baixo carbono (plantio direto, ILPF, recuperação de pastagens) e buscar certificação junto a entidades como Embrapa ou Imaflora.