Guia orienta prefeituras na prevenção de impactos do El Niño: o que muda
A Associação Brasileira de Municípios (ABM) lançou um guia para ajudar prefeitos e equipes técnicas a se prepararem para o El Niño, que pode atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro. O material traz orientações de prevenção, resposta e recuperação para cada região
Guia orienta prefeituras na prevenção de impactos do El Niño: o que você precisa saber
Acordei cedo, como sempre, e antes do café fui dar uma olhada no céu. No sítio, a gente aprende a ler o tempo. Mas tem fenômeno que nem o mais velho da roça consegue prever direito. O El Niño é desses. E agora, a Associação Brasileira de Municípios (ABM) soltou um guia pra ajudar as prefeituras a se prepararem. Vou contar o que tem lá, porque a notícia interessa a todo mundo que depende da terra, e no campo, isso é todo mundo.
O Guia Prático para Enfrentamento ao Super El Niño e Eventos Climáticos Extremos reúne orientações para as etapas de prevenção, resposta e recuperação após desastres. O material está disponível gratuitamente no portal da ABM.
O que dizem os números sobre o El Niño
Segundo a ABM, estudos da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) apontam que há 81% de probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro. Além disso, há 97% de chances de o El Niño permanecer ativo até o início de 2027.
Isso não é previsão de curto prazo. É um alerta que vale para os próximos meses e para o começo do ano que vem. Quem lida com plantio sabe que planejamento é tudo. Se a chuva não vem na hora certa, ou vem demais, a lavoura sente.
Como cada região do Brasil será afetada
A ABM destaca que os efeitos do El Niño variam conforme a região. Não é igual para todo mundo. Cada canto do país tem seu risco específico.
Norte e Nordeste: seca e queimadas
Nessas regiões, a tendência é de redução das chuvas, estiagens, queda no nível dos rios, pressão sobre o abastecimento e aumento do risco de queimadas. Para quem vive da agricultura familiar no Norte e Nordeste, isso significa menos água para o gado e para as plantações, além de um perigo real de fogo nas áreas de mata.
Centro-Oeste: calor e incêndios no Pantanal
No Centro-Oeste, o calor e a baixa umidade podem ampliar a ocorrência de incêndios, especialmente no Pantanal. Quem acompanha as notícias dos últimos anos sabe o estrago que o fogo faz na biodiversidade e na vida de quem mora ali.
Sudeste: calor intenso e chuvas irregulares
No Sudeste, são esperados períodos de calor intenso, baixa umidade e irregularidade das chuvas. Isso mexe com o calendário de plantio e colheita, além de aumentar o risco de problemas de saúde, principalmente para quem trabalha exposto ao sol.
Sul: temporais e enchentes
Já o Sul apresenta maior risco de temporais persistentes, enchentes, alagamentos e deslizamentos. Quem mora em região de encosta ou perto de rio sabe bem o que isso significa: perda de lavoura, estradas destruídas, casas alagadas.
O que o guia recomenda para as prefeituras
O material da ABM não é só um alerta. Ele traz ações concretas que as prefeituras podem adotar. Entre as recomendações estão:
- Mapeamento de áreas de risco
- Atualização de planos de contingência
- Definição prévia de abrigos e equipes de atendimento
- Organização de ações emergenciais, como evacuação, acolhimento de famílias e manutenção de serviços essenciais
A entidade destaca que a resposta a desastres climáticos deve envolver diferentes áreas da administração municipal: saúde, assistência social, infraestrutura, educação, meio ambiente e finanças.
Isso faz sentido. Não adianta só a defesa civil se preparar se a saúde não tem estoque de medicamentos ou se a assistência social não sabe onde abrigar as famílias. Tem que ser todo mundo junto.
Prevenção: o que o pequeno produtor pode fazer
O guia é voltado para prefeituras, mas quem vive no campo também pode tirar lições. Mapear áreas de risco no próprio sítio, por exemplo: saber onde a água acumula, onde o barranco pode ceder, onde o fogo chega mais fácil. Manter um plano básico: ter água armazenada, documentos importantes em local seguro, um contato de emergência.
Não é alarmismo. É cuidado. A terra devolve o cuidado de quem fica.
FAQ: Perguntas frequentes
O guia da ABM é gratuito?
Sim, o Guia Prático para Enfrentamento ao Super El Niño e Eventos Climáticos Extremos está disponível gratuitamente no portal da Associação Brasileira de Municípios (ABM).
Quando o El Niño deve atingir intensidade máxima?
Segundo a ABM, com base em estudos da NOAA, há 81% de probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro.
O El Niño pode durar até quando?
Há 97% de chances de o fenômeno permanecer ativo até o início de 2027, de acordo com a ABM.
Quais regiões serão mais afetadas?
Cada região sofre de forma diferente: Norte e Nordeste com seca e queimadas; Centro-Oeste com calor e incêndios; Sudeste com calor intenso e chuvas irregulares; Sul com temporais, enchentes e deslizamentos.
O que as prefeituras devem fazer primeiro?
O guia recomenda começar pelo mapeamento de áreas de risco e pela atualização dos planos de contingência, além de definir abrigos e equipes de atendimento com antecedência.
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