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Mulheres indígenas reivindicam protagonismo na Amazônia

ResumoMulheres indígenas no TEDxAmazônia reivindicam protagonismo como guardiãs da Amazônia. Líderes demandam governança direta de fundos ambientais e reconhecimento legal da natureza como sujeito de direitos. A pauta centraliza autonomia feminina na gestão territorial e na formulação de políticas climáticas, posicionando a participação indígena como condição para a preservação efetiva do bioma.

No TEDxAmazônia, mulheres indígenas reivindicam protagonismo como guardiãs da Amazônia. Líderes pedem governança de fundos e reconhecimento legal da natureza.

Anderson Fagundes
Anderson Fagundes Especialista em máquinas agrícolas · 07 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Mulheres indígenas reivindicam protagonismo na Amazônia

Treze mulheres indígenas de diferentes povos da Amazônia encerraram a última edição do TEDxAmazônia com um manifesto: "Mulheres em resistência, em defesa dos nossos corpos e dos nossos territórios. Que não sejam tocados, não sejam violados, não sejam mortos! A força da terra está dentro de nós."

O evento foi realizado pela primeira vez fora do Brasil, nas cidades de Banos e Puyo, no Equador, entre os dias 27 e 31 de agosto. À frente do grupo, a anciã sábia do povo Shuar Catalina Chumpi pediu às águas das cachoeiras que dessem poder às suas "netas" para defender seus territórios.

A abertura do encontro também marcou o tom. O líder indígena do povo Shuar, Domingos Peas, pediu um minuto de silêncio por todas as defensoras e defensores da natureza assassinados em represália por seu trabalho.

Segundo o último relatório da organização Global Witness, a América Latina é o continente onde mais se matam defensores ambientais, e os líderes indígenas são os mais vitimados. As populações que vivem na Amazônia são essenciais para a preservação do território, defenderam palestrantes do evento.

A líder do povo Kichwa, Patricia Gualinga, defendeu a incorporação legal da cosmovisão indígena sobre a natureza como um sujeito em si mesmo, não uma fonte passiva de recursos. "A natureza sempre teve direitos. Os lugares mais bem cuidados estão nos territórios indígenas, porque nós entendemos que não somos os únicos habitantes do planeta", disse.

Ela lembrou que o Equador, em 2008, foi o primeiro país a definir em sua Constituição que a natureza tem direitos equivalentes às pessoas. Uma aplicação desse entendimento, em 2024, proibiu a mineração na Floresta Los Cedros. Decisões semelhantes ocorreram com o Rio Atrato, na Colômbia, e o Rio Maranhão, no Peru. Mas o maior desafio é a aplicação desses direitos. "Uma constituição não vai regenerar uma floresta, uma sentença não vai sanear um rio", afirmou.

Diana Chavez, diretora de Comunas, Povos e Nacionalidades do Fundo do Biocorredor Amazônico, reivindicou recursos e poder de decisão. Ela citou um fundo no Equador abastecido por mineração e petróleo que existe há seis anos sem acesso direto dos indígenas. "Menos de 1% do financiamento global para ações de controle do clima chega diretamente aos povos indígenas", destacou. "A consulta te coloca na sala de espera, a governança te coloca na mesa de decisão."

A administradora Esthela Noteno, de origem Kichwa, contou como a contaminação por atividade petroleira levou sua comunidade a arrendar terras para monocultura de taro. Na pandemia, a família criou uma agroindústria de extrato de guayusa, planta nativa da Amazônia. Hoje, 12 famílias trabalham no projeto, que produz de 3 a 5 mil garrafas por mês, com folhas compradas de outras mulheres indígenas.

O evento reuniu 30 palestrantes indígenas e não-indígenas. Para o organizador Rodrigo Cunha, a mensagem é de alerta: "Estamos em um ponto de não retorno". A coorganizadora Verônica Reed lembrou que 40% do território amazônico está em oito países fora do Brasil.

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