Sustentabilidade

Pragas de solo: 11 formas de controle sem químico

ResumoPragas de solo (corós e larvas-alateias) reduzem a produtividade antes da emergência das culturas. O controle sem químico envolve manejo da palha, rotação de culturas e amostragem periódica do solo. Onze práticas de campo incluem armadilhas luminosas, uso de plantas antagonistas, dessecação antecipada e monitoramento de danos. Essas estratégias reduzem a população de pragas sem inseticidas, preservando a biologia do solo e a sustentabilidade do sistema produtivo.

Pragas de solo como corós e larvas-alateias derrubam a produtividade antes da emergência. Controle sem químico existe e começa no manejo da palha, na rotação e na amostragem. Veja 11 práticas que eu aplico no campo.

Valdir Pagliosa
Valdir Pagliosa Agrônomo e consultor de lavoura · 07 de setembro de 2026 · 6 min de leitura
Pragas de solo: 11 formas de controle sem químico

Todo ano tem talhão que falha na rebrota e o produtor culpa a semente. Na maioria das vezes, o problema estava embaixo da terra, comendo raiz. Pragas de solo não aparecem na parte aérea até que o dano esteja feito. O controle sem químico existe, mas exige diagnóstico antes do plantio e manejo que desestabilize o ciclo da praga.

A amostragem de solo com peneira, em pontos de 30 cm x 30 cm por 15 cm de profundidade, como orienta a Embrapa, é o primeiro passo. Com a praga identificada, você escolhe a tática. Abaixo, as 11 formas que eu vejo dar certo no talhão, da mais imediata à mais preventiva.

  1. Amostragem antes do plantio

Não existe controle sem saber o que está lá embaixo. Abra 10 a 15 buracos por talhão, peneire o solo e conte as larvas. Se a população de coró ou larva-alateia passar do nível de dano econômico, o plantio precisa de manejo. Isso eu vi dar certo no talhão: talhão com histórico de rebrota falha foi salvo porque a amostragem apontou o pico da praga a tempo.

  1. Rotação de culturas

Cada praga de solo tem planta preferida. Coró-das-pastagens ataca gramíneas; larva-alateia prefere soja e milho. Alternar com espécies não hospedeiras quebra o ciclo. Dois anos seguidos da mesma cultura no mesmo talhão é receita para população explodir. Rotacionar com braquiária ou crotalária reduz a pressão sem gastar com inseticida.

  1. Plantas de cobertura como armadilha

Crotalária e aveia-preta atraem pragas antes da cultura principal. O coró adulto, por exemplo, oviposita na cobertura e a larva morre quando ela é dessecada. Não é controle total, mas reduz a primeira geração. No sistema plantio direto bem feito, a palha ainda abriga inimigos naturais que atacam ovos e larvas.

  1. Controle biológico com fungos

Metarhizium anisopliae e Beauveria bassiana são fungos que infectam larvas de solo em condições de umidade. Aplicados no sulco de plantio, colonizam o solo e matam a praga em poucos dias. O custo é maior que o do químico, mas o efeito residual no talhão compensa em áreas com histórico. Exija produto registrado e aplique com solo úmido, senão o fungo não germina.

  1. Nematoides entomopatogênicos

Esses vermes microscópicos caçam a larva no solo e liberam bactérias que matam o hospedeiro. São específicos e não afetam minhocas ou outros organismos benéficos. A aplicação exige equipamento próprio e solo com umidade adequada. Em lavoura de milho com ataque de lagarta-elasmo, a eficiência aparece quando a população da praga não está alta demais.

  1. Armadilha luminosa para adultos

Corós e percevejos-castanhos passam a fase adulta voando à noite. Uma lâmpada LED sobre uma bacia com água e detergente captura milhares de adultos em uma noite de pico. Não resolve sozinha, mas reduz a oviposição na safra seguinte. Coloque a armadilha na borda do talhão, longe do foco da praga, para não atrair mais insetos para dentro.

  1. Manejo da palha e do solo

Solo compactado e com palha mal distribuída cria ambiente ideal para larvas. A palha em excesso retém umidade e favorece o coró. Revolver o solo na entressafra expõe larvas e pupas a predadores e ao sol. Mas cuidado: plantio direto consolidado não deve ser revolvido sem necessidade, pois destrói a estrutura. Equilíbrio é a palavra.

  1. Uso de calagem e correção de pH

Pragas de solo preferem solo ácido e pobre. A correção do pH com calcário cria ambiente desfavorável para muitas larvas e favorece microrganismos benéficos. Análise de solo é a base: se o pH está abaixo de 5,5, a calagem não é só para nutrição, é manejo de praga. Isso eu vi dar certo no talhão: área corrigida teve queda na incidência de coró em duas safras.

  1. Controle de plantas daninhas na entressafra

Planta daninha é hospedeira de praga. Tiririca e capim-amargoso mantêm população de larvas vivas entre safras. O manejo da entressafra com dessecação ou roçada elimina o alimento e quebra o ciclo. Talhão limpo na pós-colheita tem menos surto na safra seguinte. Não é glamoroso, mas é eficaz.

  1. Inseticidas botânicos no sulco

Extratos de nim e de pimenta têm efeito repelente sobre adultos e larvas. Não matam como um químico, mas afastam a praga do sistema radicular nos primeiros 15 dias, quando a planta é mais vulnerável. A eficiência varia com a concentração e a chuva. Use como complemento, não como única barreira.

  1. Monitoramento contínuo com armadilhas de solo

Armadilhas tipo alçapão enterradas no nível do solo capturam adultos que emergem. Instale no início da safra e revise semanalmente. O monitoramento contínuo permite decidir se a população está subindo ou caindo. Sem dado, você maneja no escuro. Com dado, você aplica só quando necessário, seja químico ou biológico.

Qual escolher? Se a população já está alta, comece com amostragem e controle biológico no sulco. Se o histórico é de ataque recorrente, monte o programa com rotação, cobertura e monitoramento. Nenhuma tática isolada resolve. O manejo integrado, combinando três ou quatro dessas práticas, é o que sustenta a lavoura sem depender de químico.

FAQ

  1. Como identificar pragas de solo antes do plantio?

Abra buracos de 30 cm x 30 cm por 15 cm de profundidade em vários pontos do talhão, peneire o solo e conte as larvas. A presença de corós, larvas-alateias ou percevejos-castanhos acima do nível de dano indica necessidade de manejo. Faça isso de 15 a 30 dias antes do plantio.

  1. O que é controle biológico de pragas de solo?

É o uso de organismos vivos, como fungos e nematoides, para infectar ou predar pragas. Esses agentes são específicos, não contaminam o ambiente e não matam os inimigos naturais. A eficiência depende de umidade do solo e da aplicação correta.

  1. Rotação de culturas realmente controla pragas de solo?

Sim, porque a praga perde a planta hospedeira e a população cai. Alternar gramíneas com leguminosas, por exemplo, quebra o ciclo de corós que preferem uma única família. O efeito é mais forte em áreas com histórico de ataque recorrente.

  1. Armadilha luminosa funciona para todas as pragas de solo?

Não. Ela é eficaz para adultos que voam à noite, como corós e percevejos-castanhos. Para larvas que ficam no solo, a armadilha não age diretamente. Use como complemento no manejo integrado.

  1. Quanto tempo leva para o controle biológico fazer efeito?

Depende do agente e da população. Fungos como Metarhizium podem levar de 5 a 10 dias para infectar a larva, enquanto nematoides agem mais rápido. O efeito residual no solo pode durar semanas, mas a aplicação precisa ser feita com solo úmido.

  1. É possível eliminar todas as pragas de solo sem químico?

Não existe eliminação total, e não é esse o objetivo. O manejo integrado busca manter a população abaixo do nível de dano econômico. Com amostragem, rotação e controle biológico, você reduz a pressão e evita perdas, mas a praga continua presente no ambiente.

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