Zona norte é região do Rio com maiores temperaturas, aponta estudo
A zona norte é a região do Rio de Janeiro com as maiores temperaturas, segundo estudo do Instituto Pereira Passos. O levantamento mostra que ilhas de calor e urbanização intensificam o calor na área, com diferenças de até 4°C em relação à zona sul.
A zona norte do Rio de Janeiro é a região que registra as temperaturas mais altas da cidade, segundo um estudo do Instituto Pereira Passos (IPP). O levantamento, baseado em dados de estações meteorológicas e imagens de satélite, mostra que a diferença térmica entre a zona norte e a zona sul pode chegar a 4°C.
De acordo com o IPP, a zona norte concentra áreas com alta densidade de construção, asfalto e concreto, que absorvem e retêm calor durante o dia e o liberam à noite. Esse processo, conhecido como ilha de calor urbana, é o principal responsável pelas temperaturas mais elevadas. A vegetação escassa na região também contribui, já que árvores e áreas verdes ajudam a regular o clima local.
O estudo do IPP também aponta que a zona norte sofre mais com a falta de ventilação natural. A geografia da cidade, com morros e baías, dificulta a circulação de ventos em bairros como Madureira, Penha e Bonsucesso. Enquanto a zona sul, com praias e parques, tem brisas marítimas que amenizam o calor, a zona norte fica sujeita a um acúmulo térmico maior.
Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) corroboram a tendência: em janeiro de 2026, a temperatura máxima registrada na estação de Vila Militar, na zona norte, foi de 39,2°C, contra 36,5°C na estação de Copacabana, na zona sul. A média histórica de temperaturas máximas na zona norte é de 32°C, enquanto na zona sul fica em 29°C (Inmet, série histórica 1991-2020).
Por que a zona norte é mais quente?
A combinação de fatores naturais e urbanos explica o fenômeno. A urbanização intensa da zona norte, iniciada no século XX, substituiu áreas de mata por construções. Hoje, a cobertura vegetal na região é de apenas 12%, contra 35% na zona sul, segundo o IPP. A impermeabilização do solo com asfalto e concreto também reduz a evapotranspiração, processo que ajuda a resfriar o ar.
As ilhas de calor são mais intensas em bairros como Irajá, Vicente de Carvalho e Cascadura. O estudo do IPP mostra que, em dias de verão, a temperatura do solo nessas áreas pode chegar a 50°C, enquanto em áreas verdes da zona sul, como o Jardim Botânico, o solo fica em torno de 30°C.
Impactos na saúde e na qualidade de vida
Temperaturas mais altas têm consequências diretas para os moradores. A Secretaria Municipal de Saúde do Rio registrou aumento de 15% nas internações por insolação e desidratação na zona norte durante o verão de 2025-2026, em comparação com a média dos três anos anteriores. O calor excessivo também agrava problemas respiratórios e cardiovasculares.
A sensação térmica na zona norte pode ser ainda maior devido à umidade relativa do ar. Em fevereiro de 2026, a umidade média na região foi de 55%, contra 70% na zona sul (Inmet, fev/2026). O ar mais seco dificulta a dissipação do calor corporal.
O que pode ser feito?
O IPP recomenda medidas de adaptação urbana para mitigar o calor na zona norte. Entre elas, o plantio de árvores em larga escala, a criação de parques lineares e o uso de materiais refletores em telhados e calçadas. O estudo sugere que a cobertura vegetal na região precisa dobrar para reduzir a temperatura média em até 2°C.
A Prefeitura do Rio lançou em 2025 o programa "Rio + Verde", que prevê o plantio de 500 mil mudas até 2028, com foco em áreas da zona norte. O projeto inclui parcerias com comunidades locais para manutenção das áreas verdes.
Cenário futuro
Com as mudanças climáticas, as temperaturas na zona norte devem continuar subindo. Modelos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam que, até 2050, a temperatura média na região pode aumentar entre 1,5°C e 2,5°C, caso não haja intervenções. O estudo do IPP serve como alerta para a necessidade de planejamento urbano com foco em resiliência climática.
Para o produtor rural e o trader, a leitura é clara: a zona norte do Rio, com seu calor intenso, também impacta a logística e o armazenamento de grãos. Produtos como milho e soja, que passam por armazéns na região, exigem refrigeração adicional para evitar perdas. A cotação do frete pode subir em dias de calor extremo, já que o asfalto derretido e o trânsito lento encarecem o transporte.
Perguntas Frequentes
Qual a diferença de temperatura entre zona norte e zona sul?
Segundo o IPP, a diferença pode chegar a 4°C, com a zona norte sendo mais quente. Dados do Inmet mostram que a máxima histórica na zona norte é 39,2°C, contra 36,5°C na zona sul.
Por que a zona norte é mais quente que a zona sul?
A urbanização intensa, com concreto e asfalto, forma ilhas de calor. A falta de vegetação e de ventilação natural também contribui.
O que são ilhas de calor?
Ilhas de calor são áreas urbanas com temperaturas mais altas que as regiões rurais ou verdes ao redor, devido à absorção de calor por superfícies artificiais.
Como reduzir o calor na zona norte?
O IPP recomenda o plantio de árvores, criação de parques, uso de materiais refletores e aumento da cobertura vegetal para reduzir a temperatura.
O calor na zona norte afeta a saúde?
Sim. A Secretaria Municipal de Saúde registrou aumento de 15% nas internações por insolação e desidratação na região durante o verão de 2025-2026.