Sustentabilidade

Zona norte é região do Rio com maiores temperaturas, aponta estudo

ResumoO estudo do Instituto Estadual do Ambiente (INEA) identificou a zona norte do Rio de Janeiro como a região com as maiores temperaturas médias da cidade. A urbanização densa e a escassez de áreas verdes são os principais fatores que elevam o calor local, gerando impactos diretos na saúde pública e no planejamento urbano.

Estudo do Instituto Estadual do Ambiente (INEA) aponta que a zona norte é a região do Rio de Janeiro com as maiores temperaturas médias. O fenômeno está ligado à urbanização densa e à falta de áreas verdes, com implicações diretas para a saúde pública e o planejamento urbano.

Tarcísio Maia
Tarcísio Maia Analista de mercado agrícola · 06 de julho de 2026 · 4 min de leitura
El Niño: investimentos climáticos somam R$ 1,3 bi

Zona norte é região do Rio com maiores temperaturas, aponta estudo

A zona norte é a região do Rio de Janeiro que concentra as temperaturas mais altas, de acordo com o mais recente mapeamento climático do Instituto Estadual do Ambiente (INEA). O estudo, divulgado em 2025, mostra que bairros como Madureira, Méier e Tijuca registram médias térmicas superiores às da zona sul e da zona oeste, com diferenças que podem chegar a 3°C. O fenômeno está diretamente associado à urbanização intensa e à escassez de áreas verdes, formando verdadeiras ilhas de calor.

Sim, a zona norte é a região do Rio de Janeiro que registra as maiores temperaturas, segundo estudo do Instituto Estadual do Ambiente (INEA). O levantamento aponta que bairros como Madureira, Méier e Tijuca apresentam temperaturas médias até 3°C superiores às da zona sul, devido à maior densidade de construções e menor cobertura vegetal.

Por que a zona norte concentra as maiores temperaturas

O estudo do INEA identificou que a temperatura média na zona norte do Rio fica entre 26°C e 28°C, enquanto na zona sul oscila entre 23°C e 25°C. A diferença se deve a três fatores principais: a alta densidade de edificações, a baixa proporção de áreas verdes e a impermeabilização do solo.

Densidade urbana e materiais de construção

Bairros como Madureira e Méier têm ocupação quase total do solo por concreto e asfalto. Esses materiais absorvem e retêm calor durante o dia, liberando-o à noite. O resultado é que a temperatura mínima noturna na zona norte chega a ser 2°C maior que em áreas mais arborizadas, como a Floresta da Tijuca (INEA, 2025).

Falta de áreas verdes

Enquanto a zona sul tem 12 m² de área verde por habitante, a zona norte não alcança 3 m² por habitante (INEA, 2025). A cobertura vegetal reduzida elimina o efeito de sombreamento e evapotranspiração, que naturalmente resfria o ar.

Impactos na saúde e no dia a dia

As temperaturas mais altas na zona norte têm consequências diretas. Dados da Secretaria Municipal de Saúde do Rio indicam que, durante ondas de calor, os atendimentos por insolação e desidratação aumentam em até 40% nos bairros da região, comparado à média da cidade.

Ondas de calor mais frequentes

O INEA também aponta que a frequência de ondas de calor na zona norte dobrou nos últimos 20 anos. Em janeiro de 2025, por exemplo, a região registrou seis dias consecutivos com temperaturas acima de 38°C, contra três dias na zona sul.

O que dizem os especialistas

O climatologista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), afirma que o padrão observado no Rio é comum em cidades tropicais com crescimento urbano desordenado. "A zona norte é o exemplo clássico de ilha de calor urbana: quanto mais concreto, menos árvores, mais calor", disse em entrevista ao Jornal Nacional em 2025.

Soluções em andamento

A Prefeitura do Rio lançou, em 2024, o programa "Rio Mais Verde", que prevê o plantio de 50 mil árvores na zona norte até 2028. Até maio de 2026, já foram plantadas 18 mil mudas, com foco em bairros como Madureira, Irajá e Penha.

Comparação entre as regiões do Rio

| Região | Temperatura média anual | Área verde por habitante | Densidade de construções | |--------|------------------------|--------------------------|--------------------------| | Zona Norte | 27,5°C | 2,8 m² | Alta | | Zona Sul | 24,8°C | 12,1 m² | Média | | Zona Oeste | 26,2°C | 5,3 m² | Média-baixa | | Centro | 26,0°C | 4,1 m² | Alta |

Fonte: INEA, 2025

O que esperar para os próximos anos

As projeções do INEA indicam que, se o ritmo atual de urbanização continuar, a temperatura média na zona norte pode subir mais 1,5°C até 2035. Por outro lado, a expansão de áreas verdes e a adoção de telhados frios (pintura refletiva) podem reduzir esse aumento pela metade.

Para quem negocia imóveis ou planeja morar na região, a tendência é que bairros com maior arborização, como a Tijuca, valorizem-se relativamente. Já áreas como Madureira e Irajá exigem atenção redobrada com climatização e ventilação.

Perguntas Frequentes

A zona norte é sempre a região mais quente do Rio?

Sim, em termos de média anual, a zona norte lidera. Em dias específicos, a zona oeste pode igualar ou superar, mas a média histórica do INEA confirma a zona norte como a mais quente.

Qual bairro da zona norte tem a temperatura mais alta?

Madureira registra a maior temperatura média, com 28,2°C, seguido por Irajá (27,9°C) e Méier (27,5°C) (INEA, 2025).

O que causa a diferença de temperatura entre zona norte e zona sul?

A diferença é causada pela densidade urbana e pela falta de áreas verdes. A zona sul tem mais parques, jardins e a proximidade do mar, que ameniza o calor.

O aquecimento na zona norte tem solução?

Sim, o plantio de árvores, a criação de parques lineares e o uso de materiais refletivos em telhados e calçadas podem reduzir a temperatura em até 2°C, segundo o INEA.

Como o calor excessivo afeta a saúde?

A exposição prolongada a temperaturas acima de 35°C aumenta o risco de insolação, desidratação e agravamento de doenças cardiovasculares, especialmente em idosos e crianças (Secretaria Municipal de Saúde do Rio, 2024).

O estudo do INEA é atualizado com que frequência?

O mapeamento climático do INEA é atualizado a cada cinco anos. A versão atual, de 2025, é a mais recente e substitui a de 2020.

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